As substâncias
- O álcool: legal em todo o lado, a primeira causa de dependência, de violência no casal e de acidentes; o risco começa acima de dois copos por dia e dez por semana, e nenhuma dose é «protetora».
- O tabaco e a nicotina: a dependência mais rápida a instalar-se, e a mais mortal ao longo de uma vida.
- A canábis: a droga ilegal mais consumida; riscos para o cérebro antes dos 25 anos, dependência num consumidor regular em dez, efeitos sobre a motivação e a memória; estatuto legal muito variável.
- A cocaína e o crack: estimulantes, dependência psíquica forte, riscos cardíacos; o crack é um problema de saúde pública nas grandes cidades brasileiras e a cocaína transita pela África lusófona.
- O MDMA e as drogas de síntese: uso festivo, riscos de hipertermia e de produtos adulterados.
- Os opioides: heroína, e cada vez mais medicamentos analgésicos mal usados; o risco de overdose, contra a qual a naloxona salva.
- Os medicamentos: benzodiazepinas (ansiolíticos, soníferos), a dependência mais silenciosa, muitas vezes prescrita — Portugal é um dos maiores consumidores da Europa.
A lei
Todos os países punem o tráfico severamente. Para o uso e a posse pessoal, as respostas vão da prisão à ausência de sanção: Portugal descriminalizou em 2001 o consumo e a posse de todas as drogas até dez dias de consumo (comissões de dissuasão, sem cadastro), modelo estudado no mundo inteiro; o Brasil não pune o usuário com prisão desde 2006 mas a fronteira com o tráfico é fixada pelo juiz, e o Supremo fixou em 2024 quarenta gramas de canábis como presunção de uso pessoal; Cabo Verde e Moçambique punem a posse com penas leves ou medidas; Angola, a Guiné-Bissau e Timor-Leste punem o consumo. O álcool ao volante é punido em todo o lado com taxas e penas diferentes — 0,5 g/l em Portugal, tolerância zero no Brasil. As fichas de país dão o que é punido, como, e quais são os limiares.
A dependência
A dependência não é uma fraqueza de vontade: é uma modificação do cérebro, que se instala com a repetição e que torna a paragem difícil e as recaídas frequentes. Sai-se dela — a maioria das pessoas dependentes acaba por sair —, raramente sozinho e raramente à primeira tentativa. Os tratamentos existem: substituição para os opioides e a nicotina, medicamentos para o álcool, terapias comportamentais para tudo, grupos de entreajuda. Os serviços públicos de dependências (os CRI e as equipas do ICAD em Portugal, os CAPS AD no Brasil) recebem gratuitamente e sem julgamento.
O casal
O parceiro de uma pessoa dependente passa muitas vezes pelas mesmas fases: a negação, o controlo, as ameaças, a cobertura — pagar as dívidas, esconder à família —, o esgotamento. O que ajuda: dizer o que se vê sem sermão, recusar cobrir, propor uma ajuda sem a impor, e procurar a sua própria ajuda — os grupos para familiares existem em todo o lado (Al-Anon, Nar-Anon). O que não ajuda: os ultimatos não cumpridos, a vigilância, a vergonha. E quando a dependência se acompanha de violência, a página sobre a violência no casal tem prioridade.
Redução de riscos
Para quem consome, a redução de riscos salva vidas: não consumir sozinho, mandar analisar os produtos onde é possível (Portugal tem serviços legais de análise em festivais), não misturar álcool e outras substâncias, ter naloxona em caso de opioides, usar material esterilizado, beber água e descansar em festa. Os serviços que a praticam não julgam nem denunciam; as fichas de país indicam-nos.
