Contraceção
Contraceção gratuita nas consultas de planeamento familiar dos centros de saúde do SNS — pílula, DIU, implante, injetável, preservativos —, incluindo para os adolescentes, sem consentimento dos pais a partir dos 16 anos e com confidencialidade antes; pílula de emergência sem receita na farmácia e gratuita nos centros de saúde; esterilização voluntária a partir dos 25 anos; uma das taxas de utilização mais altas da Europa.
A Lei 3/84 sobre a educação sexual e o planeamento familiar, e as leis posteriores, garantem o acesso gratuito à contraceção nas consultas de planeamento familiar dos centros de saúde e dos hospitais do SNS: pílulas combinadas e progestativas, DIU de cobre e hormonal, implante, injetável, anel, adesivo, preservativos masculinos e femininos, pílula de emergência, todos dispensados gratuitamente no local. Os adolescentes têm acesso às consultas sem autorização dos pais a partir dos 16 anos, e antes com confidencialidade e avaliação da maturidade (Lei 120/99, Lei 60/2009 sobre a educação sexual nas escolas). Na farmácia, as pílulas são vendidas sob receita, comparticipadas a 69 % para as que constam da lista, e a pílula de emergência (levonorgestrel e ulipristal) é vendida sem receita. A esterilização voluntária — laqueação, vasectomia — é permitida a partir dos 25 anos, sem consentimento do cônjuge, no SNS. Portugal tem uma das taxas de utilização de contraceção moderna mais altas da Europa (mais de 85 % das mulheres em idade fértil sexualmente ativas), com a pílula em primeiro lugar, o DIU e o implante em progressão, e uma das taxas de gravidez na adolescência mais baixas do sul da Europa.
Os pontos-chave
| Onde | Consultas de planeamento familiar dos centros de saúde e hospitais do SNS; farmácias |
|---|---|
| Gratuito no SNS | Pílulas, DIU (cobre e hormonal), implante, injetável, anel, adesivo, preservativos, pílula de emergência |
| Farmácia | Pílulas sob receita, comparticipadas a 69 % se listadas (0 a 15 €/mês); pílula de emergência sem receita (10 a 20 €) |
| Adolescentes | Acesso sem autorização dos pais a partir dos 16 anos; confidencialidade antes |
| Esterilização | A partir dos 25 anos, sem consentimento do cônjuge; no SNS |
| Educação sexual | Obrigatória nas escolas (Lei 60/2009) |
| Utilização | Mais de 85 % das mulheres em idade fértil; pílula em primeiro lugar |
Na prática
- Marca-se uma consulta de planeamento familiar no centro de saúde (médico de família ou enfermeira), que prescreve e entrega gratuitamente o método escolhido; a colocação do DIU ou do implante faz-se no centro de saúde ou no hospital, com esperas de algumas semanas.
- A pílula de emergência toma-se o mais depressa possível — até 72 horas (levonorgestrel) ou 120 horas (ulipristal) — e obtém-se sem receita na farmácia, ou gratuitamente no centro de saúde, no hospital ou nos centros de atendimento a jovens; o DIU de cobre colocado em cinco dias é a alternativa mais eficaz.
- Os jovens podem dirigir-se aos gabinetes de apoio dos centros de saúde, aos centros de atendimento a jovens e à linha Sexualidade em Linha (800 222 003) da APF, confidencialmente.
- A laqueação e a vasectomia pedem-se ao médico de família, que encaminha para o hospital; a vasectomia faz-se em ambulatório.
- Os preservativos são gratuitos nos centros de saúde, nas escolas secundárias e universidades (máquinas) e nas associações.
Custos e cobertura
Gratuito no SNS para todos os métodos e para todas as pessoas, incluindo os estrangeiros residentes; na farmácia, 0 a 15 euros por mês para as pílulas comparticipadas, 20 a 50 euros para as não comparticipadas, 10 a 20 euros para a pílula de emergência, 100 a 200 euros para um DIU hormonal ou um implante comprados fora do SNS.
Mudanças recentes
A Direção-Geral da Saúde atualizou em 2020-2024 as normas de contraceção (DIU e implante como primeira escolha para as jovens, pílula de emergência gratuita alargada); a educação sexual nas escolas foi reforçada; a proposta de vender as pílulas progestativas sem receita está em discussão.
A quem recorrer
- Centros de saúde (consulta de planeamento familiar) e hospitais do SNS.
- Associação para o Planeamento da Família (APF): Sexualidade em Linha 800 222 003, centros de atendimento.
- SNS 24 (808 24 24 24) para a orientação.
Convém saber
A contraceção é gratuita e acessível, mas a espera para um DIU ou um implante no centro de saúde pode durar semanas: a mulher que muda de método pede o novo antes de parar o antigo. E a pílula de emergência da farmácia custa até 20 euros — a do centro de saúde é gratuita, e o DIU de cobre em cinco dias é mais eficaz do que qualquer pílula.
Fontes
- SNS 24 — contraceção — Serviço Nacional de Saúde
- Direção-Geral da Saúde — saúde sexual e reprodutiva — normas
- Associação para o Planeamento da Família — informação, Sexualidade em Linha
Aborto
A Lei 16/2007, adotada após o referendo de fevereiro de 2007, despenalizou o aborto a pedido da mulher até às 10 semanas de gravidez, em estabelecimento de saúde autorizado, público ou privado, com uma consulta prévia obrigatória e um período de reflexão de três dias. O Código Penal (artigo 142.º) permite além disso a interrupção até às 12 semanas quando há perigo grave para a saúde física ou psíquica da mulher, até às 16 semanas em caso de violação, até às 24 semanas em caso de doença grave ou malformação do feto, e sem limite quando o feto é inviável ou a vida da mulher está em perigo. O aborto é gratuito no SNS, incluindo a consulta e a contraceção pós-aborto; dois terços são medicamentosos (mifepristona e misoprostol), em regime ambulatório. As menores de 16 anos precisam do consentimento dos pais ou do representante legal. Os médicos podem ser objetores de consciência, o que leva alguns hospitais a encaminhar todas as mulheres para outro; o SNS deve garantir o acesso. Portugal conta cerca de 15 000 abortos por ano, uma das taxas mais baixas da Europa, em diminuição desde 2011.
Os pontos-chave
| A pedido | Até às 10 semanas de gravidez (12 semanas de amenorreia); consulta prévia; três dias de reflexão |
|---|---|
| Perigo para a saúde | Até às 12 semanas |
| Violação | Até às 16 semanas |
| Malformação ou doença grave do feto | Até às 24 semanas; sem limite se o feto for inviável |
| Perigo de vida | Sem limite |
| Menores | Consentimento dos pais abaixo dos 16 anos |
| Custo | Gratuito no SNS; 400 a 600 € nas clínicas privadas autorizadas |
Na prática
- A mulher contacta o centro de saúde, o hospital ou o SNS 24 (808 24 24 24), que indica o serviço de interrupção da gravidez mais próximo; a consulta prévia inclui a ecografia de datação, a informação e a proposta de apoio psicológico e social; três dias depois, a interrupção.
- Até às 9 semanas, o método medicamentoso é a regra: a mifepristona toma-se no hospital, o misoprostol em casa ou no hospital 36 a 48 horas depois, com uma consulta de controlo duas semanas mais tarde; o método cirúrgico (aspiração) é proposto entre as 9 e as 10 semanas ou a pedido.
- Uma mulher que ultrapassou as 10 semanas sem motivo médico não pode abortar em Portugal: Espanha (14 semanas) é o destino mais próximo, a seu cargo.
- Os hospitais com muitos objetores encaminham para outro estabelecimento; a mulher pode dirigir-se diretamente a um hospital de outra região ou a uma clínica privada autorizada.
- A contraceção pós-aborto é proposta e gratuita; o DIU pode ser colocado imediatamente.
Custos e cobertura
Gratuito no SNS (isenção de taxas moderadoras), consulta, ecografia, medicamentos e controlo incluídos; 400 a 600 euros nas clínicas privadas autorizadas; as estrangeiras não residentes pagam o ato no SNS.
Mudanças recentes
O número de abortos baixou de 20 000 em 2011 para cerca de 15 000; a Direção-Geral da Saúde atualizou as normas do aborto medicamentoso; várias propostas de alargamento do prazo para as 12 semanas e de supressão do período de reflexão foram discutidas no Parlamento em 2023-2025 sem serem adotadas; a objeção de consciência em massa em alguns hospitais é regularmente denunciada.
A quem recorrer
- SNS 24 (808 24 24 24) e centros de saúde para a orientação.
- Serviços de interrupção da gravidez dos hospitais do SNS (lista na Direção-Geral da Saúde).
- Associação para o Planeamento da Família (APF): informação, apoio, linha Sexualidade em Linha (800 222 003).
Convém saber
Dez semanas de gravidez são doze de amenorreia, e o período de reflexão de três dias conta: uma mulher que descobre a gravidez tarde deve contactar o SNS imediatamente, e não esperar a consulta com o médico de família. E se o hospital mais próximo só tiver objetores, o SNS 24 indica outro — o encaminhamento é um direito.
Fontes
- Lei 16/2007 — exclusão da ilicitude nos casos de interrupção voluntária da gravidez — Diário da República
- SNS 24 — interrupção voluntária da gravidez — Serviço Nacional de Saúde
- Direção-Geral da Saúde — relatórios dos registos das interrupções da gravidez — dados anuais
Drogas e estupefacientes
Consumo e posse de qualquer droga para uso pessoal (até dez dias de consumo) descriminalizados desde 2001: contraordenação tratada pelas Comissões para a Dissuasão da Toxicodependência, sem prisão nem registo criminal; tráfico punido com quatro a doze anos; tratamento gratuito no SNS, metadona, salas de consumo assistido, análise de drogas; cannabis medicinal desde 2018; mortes por overdose entre as mais baixas da Europa; álcool a partir dos 18 anos, 0,5 g/l ao volante.
A Lei 30/2000, em vigor desde julho de 2001, descriminalizou o consumo, a aquisição e a posse de todas as drogas para uso pessoal, até à quantidade correspondente a dez dias de consumo (25 g de cannabis, 2 g de cocaína, 1 g de heroína, 1 g de MDMA): são contraordenações, tratadas pelas Comissões para a Dissuasão da Toxicodependência (CDT), uma por distrito, que avaliam a pessoa, propõem o tratamento aos dependentes e podem aplicar aos não dependentes multas ou sanções ligeiras, suspensas na maioria dos casos; nenhuma prisão, nenhum registo criminal. Acima dessas quantidades, ou em caso de tráfico, o Decreto-Lei 15/93 pune com um a cinco anos (tráfico de menor gravidade) ou quatro a doze anos. O tratamento é gratuito no SNS — Centros de Respostas Integradas, equipas de rua, metadona e buprenorfina, comunidades terapêuticas convencionadas —, e a redução de riscos inclui as trocas de seringas, as salas de consumo assistido (Lisboa desde 2019, Porto) e a análise de drogas (Kosmicare nos festivais). A cannabis medicinal é autorizada desde 2018 (Lei 33/2018), sob receita, com produtos na farmácia. Portugal tem uma das taxas de mortes por overdose mais baixas da Europa (menos de 100 por ano) e uma prevalência de VIH entre os utilizadores em queda de 90 % desde 2001. O Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD, ex-SICAD) coordena. O álcool vende-se a partir dos 18 anos, a taxa de alcoolemia ao volante é de 0,5 g/l (0,2 para os condutores recentes e profissionais), e o tabaco é proibido nos espaços fechados; o álcool continua a ser a primeira dependência do país.
Os pontos-chave
| Consumo e posse pessoal | Contraordenação desde 2001 (Lei 30/2000): CDT, tratamento proposto, multa ligeira ou nada; sem prisão nem registo |
|---|---|
| Quantidades | Até dez dias de consumo: 25 g de cannabis, 2 g de cocaína, 1 g de heroína, 1 g de MDMA |
| Tráfico | Um a cinco anos (menor gravidade); quatro a doze anos (Decreto-Lei 15/93) |
| Tratamento | Gratuito no SNS: CRI, metadona, buprenorfina, comunidades terapêuticas, equipas de rua |
| Redução de riscos | Trocas de seringas, salas de consumo assistido, análise de drogas (Kosmicare), naloxona |
| Cannabis medicinal | Sob receita desde 2018 (Lei 33/2018) |
| Álcool e tabaco | Venda a partir dos 18 anos; 0,5 g/l ao volante (0,2 recentes e profissionais); fumar proibido nos espaços fechados |
Na prática
- Uma pessoa encontrada com uma pequena quantidade é identificada pela polícia, que apreende a droga e a convoca à CDT do distrito: uma entrevista com um técnico, uma proposta de tratamento se houver dependência, e na maioria dos casos nenhuma sanção; nenhuma menção no registo criminal.
- Quem quer tratar-se dirige-se ao médico de família, ao Centro de Respostas Integradas (CRI) do ICAD ou a uma equipa de rua; o tratamento — consultas, metadona, psicoterapia, internamento — é gratuito, sem lista de espera longa na maioria das regiões.
- As famílias podem contactar a Linha Vida (1414, gratuita) e as associações (APDES, Ares do Pinhal, Crescer) para informação e apoio.
- Nos festivais e em Lisboa, os serviços de análise de drogas (Kosmicare, Check!n) testam as substâncias anonimamente; a naloxona é distribuída aos utilizadores de opioides.
- A cannabis medicinal pede-se a um médico, que a prescreve se as outras terapêuticas falharam; os produtos (flores, óleos) vendem-se na farmácia, sem comparticipação.
Custos e cobertura
O tratamento no SNS é gratuito; a CDT não cobra; as multas por contraordenação, raras, vão de 25 a 150 euros; a cannabis medicinal custa dezenas a centenas de euros por mês, não comparticipada; as multas por álcool ao volante vão de 250 a 2 500 euros com inibição de conduzir.
Mudanças recentes
O ICAD substituiu o SICAD em 2023 e integrou o álcool e o jogo; a segunda sala de consumo assistido abriu no Porto; a Assembleia da República discutiu em 2023-2025 projetos de regulação da cannabis recreativa, sem os adotar; o consumo de cocaína e de crack aumentou nas grandes cidades, e o de cannabis entre os jovens estabilizou.
A quem recorrer
- Linha Vida 1414 (gratuita, 24 h) e ICAD (icad.pt): informação, CRI por região.
- Comissões para a Dissuasão da Toxicodependência (uma por distrito).
- Kosmicare, APDES, Crescer, Ares do Pinhal: redução de riscos e apoio.
Convém saber
Descriminalizar não é legalizar: a cannabis continua proibida em Portugal, a posse acima de 25 gramas é crime, e vender ou dar é tráfico. O modelo português funciona porque o tratamento é gratuito e imediato — quem tem um problema deve saber que a CDT e o CRI não são a polícia, e que ninguém vai preso por consumir.
Fontes
- ICAD — Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências — tratamento, CDT, dados
- Lei 30/2000 — regime jurídico do consumo de estupefacientes — Diário da República
- EUDA — Portugal, relatório por país — Agência da União Europeia para as Drogas
