Contraceção
Contraceção gratuita nos centros de saúde e nos centros de saúde reprodutiva do Serviço Nacional de Saúde — pílula, injetável, implante, DIU, preservativos, pílula de emergência —, incluindo para os adolescentes; mais de metade das mulheres em casal usam um método moderno, uma das taxas mais altas de África; a gravidez na adolescência baixa mas continua a ser um problema.
Em Cabo Verde, o Serviço Nacional de Saúde dá a contraceção sem custo nos centros de saúde, nos centros de saúde reprodutiva e nos hospitais — pílulas, injetável trimestral, implante, DIU de cobre, preservativos, pílula de emergência, laqueação e vasectomia —, com o apoio da VerdeFam, associação de planeamento familiar, e do UNFPA. A utilização de contraceção moderna é de cerca de 55-60 % das mulheres em casal, uma das mais altas de África, com a pílula e o injetável em primeiro lugar e o implante em progressão; a fecundidade caiu para cerca de 2,3 filhos por mulher. Embora tenha diminuído, a gravidez na adolescência continua a preocupar (cerca de 60 nascimentos por 1 000 raparigas dos 15 aos 19 anos); os jovens são recebidos com sigilo nos centros de saúde reprodutiva para adolescentes. Nas farmácias, as pílulas e a pílula de emergência vendem-se sem receita. A educação sexual está integrada nos programas escolares. A lei não restringe nada, e o aborto é legal até às 12 semanas, o que completa o dispositivo.
Os pontos-chave
| Onde | Centros de saúde, centros de saúde reprodutiva, hospitais (gratuito); VerdeFam; farmácias |
|---|---|
| Métodos públicos | No serviço público encontram-se a pílula, o injetável, o implante, o DIU de cobre, o preservativo, a pílula de emergência, a laqueação e a vasectomia |
| Farmácia | Compram-se sem receita as pílulas e a pílula de emergência, por algumas centenas de escudos |
| Utilização | Entre 55 e 60 % das mulheres que vivem em casal usam um método moderno; fecundidade de 2,3 |
| Gravidez na adolescência | Em baixa, mas ainda cerca de 60 por 1 000 raparigas de 15 a 19 anos |
| Adolescentes | Centros de saúde reprodutiva próprios para adolescentes, com sigilo |
| Lei | Nenhuma restrição; aborto legal até às 12 semanas |
Na prática
- Basta ir ao centro de saúde da ilha, ou ao seu centro de saúde reprodutiva: consulta e método não se pagam, e o implante e o DIU só se colocam nos centros de referência e nos hospitais.
- Nos centros de saúde dá-se a pílula de emergência de graça e nas farmácias vende-se sem receita; tem de ser tomada nas 72 horas seguintes.
- Os adolescentes podem ir sozinhos, sem os pais e com sigilo, aos centros de saúde reprodutiva para adolescentes ou às clínicas da VerdeFam.
- Os preservativos são gratuitos nos centros de saúde e nas escolas secundárias, e vendidos a preço baixo em todo o lado.
Custos e cobertura
Gratuito no Serviço Nacional de Saúde; algumas centenas de escudos por mês para a pílula na farmácia; algumas centenas de escudos para a pílula de emergência; a VerdeFam pratica preços sociais.
Mudanças recentes
O Ministério da Saúde alargou o implante e o DIU pós-parto; os centros de saúde reprodutiva para adolescentes foram criados em todas as ilhas; a fecundidade continua a baixar e a gravidez na adolescência também, mais lentamente.
A quem recorrer
- Centros de saúde e centros de saúde reprodutiva do Serviço Nacional de Saúde.
- VerdeFam: clínicas na Praia e no Mindelo, jovens, informação.
Convém saber
Cabo Verde é um dos países africanos onde a contraceção funciona melhor, mas nas ilhas pequenas o centro de saúde é um lugar onde toda a gente se conhece, e muitas adolescentes não ousam ir lá: os centros para adolescentes e a VerdeFam são confidenciais, e a pílula de emergência da farmácia não exige receita.
Fontes
- Ministério da Saúde de Cabo Verde — saúde sexual e reprodutiva
- VerdeFam — planeamento familiar, jovens
- UNFPA Cabo Verde — dados, programas
Aborto
A Lei 7/III/86, adotada em dezembro de 1986 pelo regime de partido único e confirmada pelo Código Penal de 2004 (artigos 125.º a 127.º), permite a interrupção voluntária da gravidez a pedido da mulher nas primeiras 12 semanas, em estabelecimento de saúde oficial ou autorizado, por médico; depois das 12 semanas, a interrupção é permitida quando a gravidez apresenta um perigo para a vida ou a saúde física ou psíquica da mulher, ou quando o feto sofre de malformação grave, com parecer médico. O aborto fora destas condições é crime, punido com prisão até dois anos para a mulher e mais para quem o pratica. O Serviço Nacional de Saúde pratica o aborto gratuitamente nos hospitais centrais (Praia, Mindelo) e regionais (Santiago Norte, Fogo, Sal, Santo Antão) e em alguns centros de saúde, por método medicamentoso ou por aspiração, com aconselhamento e contraceção pós-aborto; as mulheres das ilhas sem serviço deslocam-se. Cabo Verde conta alguns milhares de abortos declarados por ano, e os abortos clandestinos, por vezes com misoprostol, persistem por pudor ou por desconhecimento, sobretudo entre as adolescentes.
Os pontos-chave
| A pedido | Até às 12 semanas de gravidez, em estabelecimento de saúde oficial ou autorizado (Lei de 1986) |
|---|---|
| Depois das 12 semanas | Perigo para a vida ou a saúde da mulher; malformação grave do feto; parecer médico |
| Fora destes casos | Crime: até dois anos para a mulher |
| Serviços | Hospitais centrais e regionais, alguns centros de saúde; medicamentoso ou aspiração |
| Custo | Gratuito no Serviço Nacional de Saúde |
| Menores | Consentimento dos pais em regra; aconselhamento |
| História | Primeiro país africano a legalizar o aborto a pedido (1986) |
Na prática
- A mulher dirige-se ao centro de saúde ou ao hospital da sua ilha; a consulta inclui a datação, o aconselhamento e a escolha do método; até às 12 semanas nenhuma justificação é pedida.
- Nas ilhas sem serviço (Maio, Brava, Boa Vista em certas alturas), o centro de saúde encaminha para o hospital de referência; a viagem é a cargo da mulher, salvo evacuação médica.
- O método medicamentoso é o mais frequente até às 9 semanas; a aspiração é praticada nos hospitais.
- A contraceção pós-aborto é proposta e gratuita; o planeamento familiar é acessível em todos os centros de saúde.
- As adolescentes podem dirigir-se aos centros de saúde reprodutiva para adolescentes (VerdeFam, centros de saúde) para o aconselhamento confidencial.
Custos e cobertura
Gratuito no Serviço Nacional de Saúde; algumas clínicas privadas da Praia e do Mindelo cobram algumas dezenas de milhares de escudos; a viagem entre ilhas é a cargo da mulher.
Mudanças recentes
A lei de 1986 não foi alterada; o Código Penal de 2004 confirmou-a; o Ministério da Saúde alargou o aborto medicamentoso e a contraceção pós-aborto; os abortos declarados baixam com a difusão da contraceção, usada pela maioria das mulheres em casal.
A quem recorrer
- Hospitais Agostinho Neto (Praia) e Baptista de Sousa (Mindelo), hospitais regionais, centros de saúde.
- VerdeFam (Associação Cabo-verdiana para a Proteção da Família): informação, clínicas, adolescentes.
- Ministério da Saúde de Cabo Verde — programa de saúde sexual e reprodutiva.
Convém saber
Cabo Verde legalizou o aborto há quase quarenta anos, mas muitas adolescentes ignoram-no ou não ousam ir ao centro de saúde da sua ilha, onde toda a gente se conhece, e abortam clandestinamente: o serviço é gratuito, confidencial e legal até às 12 semanas, e o hospital de outra ilha é uma opção.
Fontes
- Ministério da Saúde de Cabo Verde — saúde sexual e reprodutiva
- VerdeFam — informação, serviços
- Center for Reproductive Rights — Cabo Verde — lei comparada
Drogas e estupefacientes
O consumo e a posse de drogas são crime em Cabo Verde (Lei 78/IV/93), com prisão ou multa substituível por tratamento, e o tráfico é punido com penas pesadas; o arquipélago é uma placa giratória da cocaína sul-americana para a Europa, com um consumo local de cocaína e de crack em progressão; a cannabis é a droga dominante; o álcool — o grogue — é a primeira dependência, regulado desde 2016; tratamento no Hospital da Trindade e nos centros de reabilitação.
A Lei 78/IV/93 sobre o tráfico e consumo de estupefacientes pune o consumo e a posse para uso pessoal com prisão até um ano ou multa, substituível por tratamento se o consumidor o aceitar, e o tráfico com prisão de quatro a doze anos, mais para as redes. Cabo Verde, a meio caminho entre a América do Sul e a Europa, é uma placa giratória da cocaína — apreensões recorde de várias toneladas desde 2019 —, com um consumo local de cocaína e de crack em progressão na Praia e no Mindelo; a cannabis, cultivada em Santo Antão e noutras ilhas, é a droga mais consumida; a heroína é rara. A Comissão de Coordenação do Combate à Droga (CCCD) coordena a prevenção e o tratamento, assegurado pelo Hospital da Trindade (psiquiatria, na Praia), pelos serviços de saúde mental do Mindelo e por centros de reabilitação (Centro de Reabilitação de Toxicodependentes da Praia, comunidades terapêuticas). O álcool — o grogue de cana, a cerveja — é a primeira dependência do país, e o Decreto-Lei de 2016 sobre as bebidas alcoólicas proíbe a venda aos menores de 18 anos, regula a publicidade e fixa a alcoolemia ao volante em 0,5 g/l; o tabaco é regulado pela Lei de 2014.
Os pontos-chave
| Consumo e posse | Crime: até um ano de prisão ou multa; tratamento em substituição (Lei 78/IV/93) |
|---|---|
| Tráfico | Quatro a doze anos; mais para as redes |
| Drogas | Cannabis dominante; cocaína e crack em progressão; placa giratória da cocaína |
| Tratamento | Hospital da Trindade (Praia); saúde mental do Mindelo; centros de reabilitação; CCCD |
| Álcool | Primeira dependência (grogue); 18 anos; 0,5 g/l ao volante; Decreto-Lei de 2016 |
| Tabaco | Lei de 2014: 18 anos; proibido nos espaços fechados |
| Cannabis medicinal | Não autorizada |
Na prática
- Uma pessoa detida com uma pequena quantidade arrisca um processo; a Ordem dos Advogados oferece assistência judiciária; o tratamento em substituição pode ser pedido ao tribunal.
- Quem quer tratar-se dirige-se ao centro de saúde, ao Hospital da Trindade na Praia ou aos serviços de saúde mental do Mindelo, gratuitos; os centros de reabilitação e as comunidades terapêuticas acolhem para estadias longas.
- As famílias podem contactar a CCCD, as associações (Associação Cabo-verdiana de Luta contra a Droga) e as igrejas.
- Os estrangeiros detidos com droga nos aeroportos são processados por tráfico; a Polícia Judiciária e a cooperação europeia vigiam as rotas.
- O álcool ao volante é controlado; as multas e a inibição de conduzir aplicam-se; as campanhas contra o grogue de má qualidade (metanol) são regulares.
Custos e cobertura
O tratamento nos serviços públicos é gratuito; os centros de reabilitação são gratuitos ou a preço social; as multas por consumo são de alguns milhares de escudos; a assistência judiciária existe.
Mudanças recentes
As apreensões de cocaína atingiram recordes (mais de nove toneladas em 2019); o Plano Nacional de Luta contra a Droga 2021-2025 privilegia a prevenção e o tratamento; o Decreto-Lei de 2016 sobre o álcool é aplicado nas ilhas turísticas; a revisão da lei de 1993 para descriminalizar o consumo é discutida.
A quem recorrer
- Comissão de Coordenação do Combate à Droga (CCCD).
- Hospital da Trindade (Praia); serviços de saúde mental do Mindelo; centros de reabilitação.
- Ordem dos Advogados de Cabo Verde em caso de detenção.
Convém saber
Cabo Verde é uma rota da cocaína e começa a consumi-la: o crack apareceu na Praia e no Mindelo, e o tratamento — um hospital psiquiátrico, alguns centros — é limitado. O grogue, legal e nacional, continua a ser a primeira dependência, e a lei de 2016 sobre o álcool é mais recente do que a maioria das pessoas pensa.
Fontes
- Comissão de Coordenação do Combate à Droga — Cabo Verde — prevenção, tratamento
- UNODC — Cabo Verde — tráfico de cocaína
- Ministério da Saúde de Cabo Verde — saúde mental
