Contraceção
Contraceção gratuita nos centros de saúde públicos e distribuída nas comunidades pelos agentes polivalentes — injetável, implante, pílula, DIU, preservativos, pílula de emergência —, com uma utilização em forte progressão (cerca de um terço das mulheres em casal) mas ainda insuficiente; a gravidez na adolescência é massiva e o casamento precoce frequente; nenhuma restrição legal.
O Ministério da Saúde de Moçambique oferece a contraceção gratuitamente nos centros de saúde e nos hospitais — pílulas, injetável trimestral, implante, DIU de cobre, preservativos, pílula de emergência, laqueação e vasectomia —, e desde 2010 os agentes polivalentes elementares (APE) distribuem a pílula, o injetável e os preservativos nas comunidades rurais, o que alargou muito o acesso. A utilização de contraceção moderna passou de 11 % (2011) para cerca de 25-30 % das mulheres em casal (IMASIDA 2015 e inquéritos posteriores), com o injetável e o implante em primeiro lugar, mas as necessidades não satisfeitas continuam altas e a gravidez na adolescência massiva: cerca de 180 nascimentos por 1 000 raparigas de 15 a 19 anos, quase metade das raparigas mães antes dos 20 anos, e uma das taxas de casamento infantil mais altas do mundo, que a Lei 19/2019 tenta reduzir. Nas cidades, as farmácias dispensam a pílula e a pílula de emergência sem receita. A lei não restringe nada; a Estratégia de Planeamento Familiar 2020-2030 visa 44 % de utilização. A educação sexual nas escolas e os serviços amigos dos adolescentes (SAAJ) desenvolvem-se com o apoio do UNFPA.
Os pontos-chave
| Onde | Centros de saúde e hospitais públicos (gratuito); agentes polivalentes nas comunidades; farmácias |
|---|---|
| Métodos públicos | No sistema público: pílulas, injetável, implante, DIU de cobre, preservativos, pílula de emergência, laqueação de trompas e vasectomia |
| Farmácia | Nas cidades, pílulas e pílula de emergência vendem-se sem receita |
| Utilização | Cerca de 25-30 % das mulheres em casal (método moderno), em progressão; injetável e implante em primeiro lugar |
| Gravidez na adolescência | Perto de 180 nascimentos por 1 000 raparigas entre os 15 e os 19 anos |
| Adolescentes | Serviços amigos dos adolescentes e jovens (SAAJ) nos centros de saúde |
| Lei | Nenhuma restrição; Estratégia de Planeamento Familiar 2020-2030 |
Na prática
- A mulher dirige-se ao centro de saúde, onde a consulta e o método são gratuitos; nas aldeias, o agente polivalente fornece a pílula, o injetável e os preservativos e encaminha para o centro para o implante e o DIU.
- O implante — três a cinco anos, discreto — e o injetável trimestral são os mais usados e os mais adaptados às mulheres cujo parceiro se opõe; o DIU de cobre é colocado nos centros de saúde de referência, incluindo após o parto.
- Nos centros de saúde e nas farmácias urbanas obtém-se a pílula de emergência, que deve ser tomada nas 72 horas seguintes ao ato.
- Os adolescentes podem dirigir-se aos SAAJ dos centros de saúde, confidencialmente e sem os pais; a AMODEFA tem clínicas para jovens em várias províncias.
- Nos centros de saúde e nos programas contra o VIH os preservativos não se pagam, e em qualquer outro sítio vendem-se por pouco.
Custos e cobertura
Gratuito nos centros de saúde e junto dos agentes polivalentes; algumas centenas de meticais por mês para a pílula na farmácia; algumas centenas de meticais para a pílula de emergência; a laqueação e a vasectomia são gratuitas nos hospitais.
Mudanças recentes
A Estratégia de Planeamento Familiar 2020-2030 fixa um objetivo de 44 % de utilização; a distribuição comunitária e o implante fizeram progredir a utilização mais depressa do que em quase todos os países da região; a Lei 19/2019 contra as uniões prematuras completa o dispositivo; a educação sexual nas escolas continua controversa.
A quem recorrer
- Centros de saúde e hospitais do Serviço Nacional de Saúde; agentes polivalentes elementares.
- AMODEFA: clínicas, jovens, linha de apoio.
- UNFPA Moçambique e Ministério da Saúde (programa de saúde sexual e reprodutiva).
Convém saber
Moçambique progrediu mais depressa do que os seus vizinhos, mas quase metade das raparigas é mãe antes dos 20 anos, e a contraceção continua a ser um assunto de mulheres casadas: as adolescentes, que mais precisam dela, são as que menos a obtêm. Os SAAJ dos centros de saúde acolhem-nas sem os pais — é preciso sabê-lo.
Fontes
- Ministério da Saúde de Moçambique — planeamento familiar — estratégia 2020-2030
- AMODEFA — serviços, jovens
- UNFPA Moçambique — dados, programas
Aborto
O Código Penal de 2014 (Lei 35/2014, em vigor desde junho de 2015, mantido pelo código revisto de 2019) despenalizou o aborto a pedido da mulher nas primeiras 12 semanas de gravidez, praticado em unidade de saúde por profissional habilitado; permite-o até às 16 semanas quando a gravidez resulta de violação ou de incesto, até às 24 semanas em caso de malformação grave do feto, e sem limite quando a vida ou a saúde da mulher está em perigo. O Diploma Ministerial 60/2017 regulamentou os serviços: aborto medicamentoso (misoprostol, com mifepristona onde está disponível) e por aspiração nas unidades de saúde públicas, gratuito, com aconselhamento e contraceção pós-aborto; as menores podem ser acompanhadas por um adulto de confiança. A oferta é real em Maputo, na Beira, em Nampula e nas capitais provinciais, e limitada nos distritos rurais, onde a informação, os profissionais formados e o misoprostol faltam; os abortos inseguros continuam a causar uma parte importante das mortes maternas. Moçambique junta-se assim a Cabo Verde, à África do Sul e à Tunísia entre os países africanos que permitem o aborto a pedido.
Os pontos-chave
| A pedido | Até às 12 semanas de gravidez, em unidade de saúde |
|---|---|
| Violação ou incesto | Até às 16 semanas |
| Malformação grave do feto | Até às 24 semanas |
| Perigo para a vida ou a saúde | Sem limite |
| Serviços | Unidades de saúde públicas; medicamentoso ou aspiração; gratuito |
| Menores | Acompanhamento por um adulto de confiança |
| Realidade | Oferta concentrada nas cidades; abortos inseguros persistentes nos distritos |
Na prática
- Basta apresentar-se no centro de saúde ou no hospital: a consulta serve para datar a gravidez (por ecografia, quando existe), aconselhar e escolher o método, e até às 12 semanas ninguém exige justificação.
- O método medicamentoso — misoprostol, com mifepristona onde existe — é o mais frequente até às 9-10 semanas; a aspiração manual é praticada nos centros de saúde de referência e nos hospitais.
- Em caso de violação, a mulher pode abortar até às 16 semanas com a sua declaração; a queixa na polícia é recomendada mas não exigida pelo regulamento.
- A contraceção pós-aborto — implante, DIU, injetável — é proposta imediatamente e gratuitamente.
- Nos distritos sem serviço, as organizações (AMODEFA, Pathfinder, Ipas) orientam para a unidade mais próxima; os cuidados pós-aborto são prestados em todo o lado.
Custos e cobertura
Gratuito nas unidades de saúde públicas, aconselhamento e contraceção incluídos; algumas clínicas privadas de Maputo cobram alguns milhares de meticais.
Mudanças recentes
O Código Penal revisto em 2019 (Lei 24/2019) manteve a despenalização; o Ministério da Saúde alargou a formação dos profissionais e a disponibilidade do misoprostol; a mifepristona foi registada; a taxa de abortos inseguros baixa lentamente, sobretudo nas cidades.
A quem recorrer
- AMODEFA (Associação Moçambicana para o Desenvolvimento da Família): informação, clínicas, linha de apoio.
- Ministério da Saúde — Direção Nacional de Saúde Pública (saúde sexual e reprodutiva).
Convém saber
A lei moçambicana está entre as mais abertas de África, mas a oferta não a acompanha: fora das cidades, muitas mulheres ignoram o seu direito ou não encontram profissional formado, e continuam a abortar de forma perigosa. Perguntar no centro de saúde, ou à AMODEFA, é o primeiro passo — e os cuidados pós-aborto são gratuitos em todo o lado.
Fontes
- Ministério da Saúde de Moçambique — saúde sexual e reprodutiva
- AMODEFA — informação, serviços
- Center for Reproductive Rights — Moçambique — lei comparada
Drogas e estupefacientes
O consumo e a posse de drogas são crime em Moçambique (Lei 3/97), com prisão até um ano ou tratamento, e o tráfico é punido com doze a dezasseis anos; o país é uma das principais rotas da heroína afegã para a Europa — a «costa da heroína» — e o consumo de heroína injetada progride nas cidades, com um programa de metadona desde 2023; a cannabis («suruma») é a droga dominante; o álcool é a primeira dependência.
A Lei 3/97 sobre o tráfico e consumo de drogas pune o consumo e a posse para uso pessoal com prisão até um ano ou multa, substituível por tratamento, e o tráfico com prisão de doze a dezasseis anos (vinte para as redes), e o Código Penal de 2014 manteve o regime. Moçambique é desde os anos 1990 uma das principais rotas da heroína afegã para a Europa e a África do Sul — a «costa da heroína» —, com uma parte do produto consumida no local: a heroína injetada progride em Maputo, na Beira e em Nampula, com uma prevalência de VIH elevada entre os utilizadores, e o programa de metadona, lançado em 2023 no Hospital Psiquiátrico de Infulene, é o primeiro do país; a cocaína em trânsito do Brasil progride também. A cannabis («suruma»), cultivada em todo o país, é a droga mais consumida. O tratamento público limita-se aos hospitais psiquiátricos de Infulene (Maputo) e de Nampula e a alguns serviços de saúde mental; as organizações (UNIDOS, Médicos Sem Fronteiras) desenvolvem a redução de riscos com trocas de seringas. O álcool — cerveja, bebidas tradicionais — é a primeira dependência, vendido a partir dos 18 anos com uma aplicação fraca, e a alcoolemia ao volante limitada a 0,6 g/l; o tabaco é regulado.
Os pontos-chave
| Consumo e posse | Constitui crime, com prisão até um ano ou multa, podendo o tratamento substituir a pena (Lei 3/97) |
|---|---|
| Tráfico | Doze a dezasseis anos; vinte para as redes |
| Drogas | Cannabis (suruma) dominante; heroína injetada em progressão nas cidades; cocaína em trânsito |
| Tratamento | Hospitais psiquiátricos de Infulene e Nampula; metadona desde 2023; redução de riscos pelas ONG |
| Álcool | É a dependência mais comum; só se vende a partir dos 18 anos; conduzir com mais de 0,6 g/l é infração |
| Tabaco | Regulado; proibido nos espaços fechados públicos |
| Cannabis medicinal | Não autorizada; cultivo de cânhamo industrial autorizado a título experimental |
Na prática
- Quem é detido com uma pequena quantidade pode ficar em prisão preventiva; o IPAJ ou um advogado ajudam a conseguir que a pena seja trocada por tratamento ou por multa.
- Quem quer tratar-se dirige-se ao Hospital Psiquiátrico de Infulene (Maputo) — que oferece a metadona desde 2023 —, ao de Nampula ou aos serviços de saúde mental dos hospitais provinciais, gratuitos; UNIDOS e Médicos Sem Fronteiras oferecem seringas, testes e acompanhamento em Maputo e na Beira.
- As famílias podem contactar os serviços de saúde mental e as organizações; as igrejas e as comunidades terapêuticas religiosas acolhem também.
- Quem é apanhado com droga no aeroporto de Maputo, mesmo sendo estrangeiro, responde por tráfico e arrisca penas pesadas.
- O Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga coordena a prevenção nas escolas.
Custos e cobertura
O tratamento nos hospitais públicos é gratuito, incluindo a metadona; as multas por consumo são de alguns milhares de meticais; o IPAJ é gratuito.
Mudanças recentes
O programa de metadona começou em 2023 em Infulene com o apoio do PEPFAR; o Governo autorizou em 2022-2023 o cultivo experimental de cânhamo; as apreensões de heroína e de cocaína aumentam; a revisão da Lei 3/97, discutida, não foi adotada.
A quem recorrer
- Hospital Psiquiátrico de Infulene (Maputo) e de Nampula; serviços de saúde mental provinciais.
- UNIDOS (Maputo, Beira) e Médicos Sem Fronteiras: redução de riscos.
- Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga; IPAJ em caso de detenção.
Convém saber
Moçambique é uma rota da heroína e paga-o em consumidores: a injeção progride nas cidades, com o VIH e a hepatite C, e o único programa de metadona do país abriu em 2023 em Maputo. As trocas de seringas de UNIDOS e de MSF são legais e salvam vidas — e consumir continua a ser um crime que a polícia usa contra os jovens dos bairros.
Fontes
- Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga — Moçambique — prevenção, dados
- UNODC — Moçambique — tráfico e consumo
- Ministério da Saúde de Moçambique — saúde mental — tratamento
