Contraceção, aborto e drogas — Moçambique

Aborto a pedido até às 12 semanas de gravidez, gratuito nas unidades de saúde públicas, desde o Código Penal de 2014 (em vigor em 2015) e o seu regulamento de 2017; permitido até às 16 semanas em caso de violação ou incesto, até às 24 por malformação grave, e sem limite por perigo de vida; Moçambique é um dos países africanos mais abertos, mas a oferta continua limitada fora das cidades e os abortos inseguros persistem.

Ilustração: Contraceção, aborto e drogas
Mapa de localização — Moçambique
Moçambique. Mapa de localização de contornos simplificados — dados Natural Earth, domínio público.

Contraceção

Contraceção gratuita nos centros de saúde públicos e distribuída nas comunidades pelos agentes polivalentes — injetável, implante, pílula, DIU, preservativos, pílula de emergência —, com uma utilização em forte progressão (cerca de um terço das mulheres em casal) mas ainda insuficiente; a gravidez na adolescência é massiva e o casamento precoce frequente; nenhuma restrição legal.

O Ministério da Saúde de Moçambique oferece a contraceção gratuitamente nos centros de saúde e nos hospitais — pílulas, injetável trimestral, implante, DIU de cobre, preservativos, pílula de emergência, laqueação e vasectomia —, e desde 2010 os agentes polivalentes elementares (APE) distribuem a pílula, o injetável e os preservativos nas comunidades rurais, o que alargou muito o acesso. A utilização de contraceção moderna passou de 11 % (2011) para cerca de 25-30 % das mulheres em casal (IMASIDA 2015 e inquéritos posteriores), com o injetável e o implante em primeiro lugar, mas as necessidades não satisfeitas continuam altas e a gravidez na adolescência massiva: cerca de 180 nascimentos por 1 000 raparigas de 15 a 19 anos, quase metade das raparigas mães antes dos 20 anos, e uma das taxas de casamento infantil mais altas do mundo, que a Lei 19/2019 tenta reduzir. Nas cidades, as farmácias dispensam a pílula e a pílula de emergência sem receita. A lei não restringe nada; a Estratégia de Planeamento Familiar 2020-2030 visa 44 % de utilização. A educação sexual nas escolas e os serviços amigos dos adolescentes (SAAJ) desenvolvem-se com o apoio do UNFPA.

Os pontos-chave

OndeCentros de saúde e hospitais públicos (gratuito); agentes polivalentes nas comunidades; farmácias
Métodos públicosNo sistema público: pílulas, injetável, implante, DIU de cobre, preservativos, pílula de emergência, laqueação de trompas e vasectomia
FarmáciaNas cidades, pílulas e pílula de emergência vendem-se sem receita
UtilizaçãoCerca de 25-30 % das mulheres em casal (método moderno), em progressão; injetável e implante em primeiro lugar
Gravidez na adolescênciaPerto de 180 nascimentos por 1 000 raparigas entre os 15 e os 19 anos
AdolescentesServiços amigos dos adolescentes e jovens (SAAJ) nos centros de saúde
LeiNenhuma restrição; Estratégia de Planeamento Familiar 2020-2030

Na prática

  • A mulher dirige-se ao centro de saúde, onde a consulta e o método são gratuitos; nas aldeias, o agente polivalente fornece a pílula, o injetável e os preservativos e encaminha para o centro para o implante e o DIU.
  • O implante — três a cinco anos, discreto — e o injetável trimestral são os mais usados e os mais adaptados às mulheres cujo parceiro se opõe; o DIU de cobre é colocado nos centros de saúde de referência, incluindo após o parto.
  • Nos centros de saúde e nas farmácias urbanas obtém-se a pílula de emergência, que deve ser tomada nas 72 horas seguintes ao ato.
  • Os adolescentes podem dirigir-se aos SAAJ dos centros de saúde, confidencialmente e sem os pais; a AMODEFA tem clínicas para jovens em várias províncias.
  • Nos centros de saúde e nos programas contra o VIH os preservativos não se pagam, e em qualquer outro sítio vendem-se por pouco.

Custos e cobertura

Gratuito nos centros de saúde e junto dos agentes polivalentes; algumas centenas de meticais por mês para a pílula na farmácia; algumas centenas de meticais para a pílula de emergência; a laqueação e a vasectomia são gratuitas nos hospitais.

Mudanças recentes

A Estratégia de Planeamento Familiar 2020-2030 fixa um objetivo de 44 % de utilização; a distribuição comunitária e o implante fizeram progredir a utilização mais depressa do que em quase todos os países da região; a Lei 19/2019 contra as uniões prematuras completa o dispositivo; a educação sexual nas escolas continua controversa.

A quem recorrer

  • Centros de saúde e hospitais do Serviço Nacional de Saúde; agentes polivalentes elementares.
  • AMODEFA: clínicas, jovens, linha de apoio.
  • UNFPA Moçambique e Ministério da Saúde (programa de saúde sexual e reprodutiva).

Convém saber

Moçambique progrediu mais depressa do que os seus vizinhos, mas quase metade das raparigas é mãe antes dos 20 anos, e a contraceção continua a ser um assunto de mulheres casadas: as adolescentes, que mais precisam dela, são as que menos a obtêm. Os SAAJ dos centros de saúde acolhem-nas sem os pais — é preciso sabê-lo.

Fontes

O artigo geral: Contraceção

Aborto

O Código Penal de 2014 (Lei 35/2014, em vigor desde junho de 2015, mantido pelo código revisto de 2019) despenalizou o aborto a pedido da mulher nas primeiras 12 semanas de gravidez, praticado em unidade de saúde por profissional habilitado; permite-o até às 16 semanas quando a gravidez resulta de violação ou de incesto, até às 24 semanas em caso de malformação grave do feto, e sem limite quando a vida ou a saúde da mulher está em perigo. O Diploma Ministerial 60/2017 regulamentou os serviços: aborto medicamentoso (misoprostol, com mifepristona onde está disponível) e por aspiração nas unidades de saúde públicas, gratuito, com aconselhamento e contraceção pós-aborto; as menores podem ser acompanhadas por um adulto de confiança. A oferta é real em Maputo, na Beira, em Nampula e nas capitais provinciais, e limitada nos distritos rurais, onde a informação, os profissionais formados e o misoprostol faltam; os abortos inseguros continuam a causar uma parte importante das mortes maternas. Moçambique junta-se assim a Cabo Verde, à África do Sul e à Tunísia entre os países africanos que permitem o aborto a pedido.

Os pontos-chave

A pedidoAté às 12 semanas de gravidez, em unidade de saúde
Violação ou incestoAté às 16 semanas
Malformação grave do fetoAté às 24 semanas
Perigo para a vida ou a saúdeSem limite
ServiçosUnidades de saúde públicas; medicamentoso ou aspiração; gratuito
MenoresAcompanhamento por um adulto de confiança
RealidadeOferta concentrada nas cidades; abortos inseguros persistentes nos distritos

Na prática

  • Basta apresentar-se no centro de saúde ou no hospital: a consulta serve para datar a gravidez (por ecografia, quando existe), aconselhar e escolher o método, e até às 12 semanas ninguém exige justificação.
  • O método medicamentoso — misoprostol, com mifepristona onde existe — é o mais frequente até às 9-10 semanas; a aspiração manual é praticada nos centros de saúde de referência e nos hospitais.
  • Em caso de violação, a mulher pode abortar até às 16 semanas com a sua declaração; a queixa na polícia é recomendada mas não exigida pelo regulamento.
  • A contraceção pós-aborto — implante, DIU, injetável — é proposta imediatamente e gratuitamente.
  • Nos distritos sem serviço, as organizações (AMODEFA, Pathfinder, Ipas) orientam para a unidade mais próxima; os cuidados pós-aborto são prestados em todo o lado.

Custos e cobertura

Gratuito nas unidades de saúde públicas, aconselhamento e contraceção incluídos; algumas clínicas privadas de Maputo cobram alguns milhares de meticais.

Mudanças recentes

O Código Penal revisto em 2019 (Lei 24/2019) manteve a despenalização; o Ministério da Saúde alargou a formação dos profissionais e a disponibilidade do misoprostol; a mifepristona foi registada; a taxa de abortos inseguros baixa lentamente, sobretudo nas cidades.

A quem recorrer

  • AMODEFA (Associação Moçambicana para o Desenvolvimento da Família): informação, clínicas, linha de apoio.
  • Ministério da Saúde — Direção Nacional de Saúde Pública (saúde sexual e reprodutiva).

Convém saber

A lei moçambicana está entre as mais abertas de África, mas a oferta não a acompanha: fora das cidades, muitas mulheres ignoram o seu direito ou não encontram profissional formado, e continuam a abortar de forma perigosa. Perguntar no centro de saúde, ou à AMODEFA, é o primeiro passo — e os cuidados pós-aborto são gratuitos em todo o lado.

Fontes

O artigo geral: Aborto

Drogas e estupefacientes

O consumo e a posse de drogas são crime em Moçambique (Lei 3/97), com prisão até um ano ou tratamento, e o tráfico é punido com doze a dezasseis anos; o país é uma das principais rotas da heroína afegã para a Europa — a «costa da heroína» — e o consumo de heroína injetada progride nas cidades, com um programa de metadona desde 2023; a cannabis («suruma») é a droga dominante; o álcool é a primeira dependência.

A Lei 3/97 sobre o tráfico e consumo de drogas pune o consumo e a posse para uso pessoal com prisão até um ano ou multa, substituível por tratamento, e o tráfico com prisão de doze a dezasseis anos (vinte para as redes), e o Código Penal de 2014 manteve o regime. Moçambique é desde os anos 1990 uma das principais rotas da heroína afegã para a Europa e a África do Sul — a «costa da heroína» —, com uma parte do produto consumida no local: a heroína injetada progride em Maputo, na Beira e em Nampula, com uma prevalência de VIH elevada entre os utilizadores, e o programa de metadona, lançado em 2023 no Hospital Psiquiátrico de Infulene, é o primeiro do país; a cocaína em trânsito do Brasil progride também. A cannabis («suruma»), cultivada em todo o país, é a droga mais consumida. O tratamento público limita-se aos hospitais psiquiátricos de Infulene (Maputo) e de Nampula e a alguns serviços de saúde mental; as organizações (UNIDOS, Médicos Sem Fronteiras) desenvolvem a redução de riscos com trocas de seringas. O álcool — cerveja, bebidas tradicionais — é a primeira dependência, vendido a partir dos 18 anos com uma aplicação fraca, e a alcoolemia ao volante limitada a 0,6 g/l; o tabaco é regulado.

Os pontos-chave

Consumo e posseConstitui crime, com prisão até um ano ou multa, podendo o tratamento substituir a pena (Lei 3/97)
TráficoDoze a dezasseis anos; vinte para as redes
DrogasCannabis (suruma) dominante; heroína injetada em progressão nas cidades; cocaína em trânsito
TratamentoHospitais psiquiátricos de Infulene e Nampula; metadona desde 2023; redução de riscos pelas ONG
ÁlcoolÉ a dependência mais comum; só se vende a partir dos 18 anos; conduzir com mais de 0,6 g/l é infração
TabacoRegulado; proibido nos espaços fechados públicos
Cannabis medicinalNão autorizada; cultivo de cânhamo industrial autorizado a título experimental

Na prática

  • Quem é detido com uma pequena quantidade pode ficar em prisão preventiva; o IPAJ ou um advogado ajudam a conseguir que a pena seja trocada por tratamento ou por multa.
  • Quem quer tratar-se dirige-se ao Hospital Psiquiátrico de Infulene (Maputo) — que oferece a metadona desde 2023 —, ao de Nampula ou aos serviços de saúde mental dos hospitais provinciais, gratuitos; UNIDOS e Médicos Sem Fronteiras oferecem seringas, testes e acompanhamento em Maputo e na Beira.
  • As famílias podem contactar os serviços de saúde mental e as organizações; as igrejas e as comunidades terapêuticas religiosas acolhem também.
  • Quem é apanhado com droga no aeroporto de Maputo, mesmo sendo estrangeiro, responde por tráfico e arrisca penas pesadas.
  • O Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga coordena a prevenção nas escolas.

Custos e cobertura

O tratamento nos hospitais públicos é gratuito, incluindo a metadona; as multas por consumo são de alguns milhares de meticais; o IPAJ é gratuito.

Mudanças recentes

O programa de metadona começou em 2023 em Infulene com o apoio do PEPFAR; o Governo autorizou em 2022-2023 o cultivo experimental de cânhamo; as apreensões de heroína e de cocaína aumentam; a revisão da Lei 3/97, discutida, não foi adotada.

A quem recorrer

  • Hospital Psiquiátrico de Infulene (Maputo) e de Nampula; serviços de saúde mental provinciais.
  • UNIDOS (Maputo, Beira) e Médicos Sem Fronteiras: redução de riscos.
  • Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga; IPAJ em caso de detenção.

Convém saber

Moçambique é uma rota da heroína e paga-o em consumidores: a injeção progride nas cidades, com o VIH e a hepatite C, e o único programa de metadona do país abriu em 2023 em Maputo. As trocas de seringas de UNIDOS e de MSF são legais e salvam vidas — e consumir continua a ser um crime que a polícia usa contra os jovens dos bairros.

Fontes

O artigo geral: Drogas e estupefacientes

Página verificada em setembro de 2026. As regras e os dados citados podem mudar: em caso de dúvida, confirme-os na fonte oficial indicada.

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