Contraceção
Contraceção gratuita em princípio nos centros de saúde públicos — pílula, injetável, implante, DIU, preservativos —, mas com ruturas de stock frequentes e uma oferta concentrada nas cidades; menos de 15 % das mulheres usam um método moderno, uma das taxas mais baixas do mundo, e a gravidez na adolescência é massiva; a pílula de emergência vende-se nas farmácias.
O Ministério da Saúde de Angola oferece a contraceção gratuitamente nos centros de saúde e nas maternidades públicas — pílulas, injetável trimestral, implante, DIU de cobre, preservativos, pílula de emergência —, com o apoio do UNFPA e dos parceiros, mas a oferta é limitada: ruturas de stock frequentes, profissionais formados concentrados em Luanda e nas capitais provinciais, e zonas rurais quase sem serviço. O Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS 2015-2016) mediu uma utilização de contraceção moderna de 13 % das mulheres em casal — uma das mais baixas do mundo —, com necessidades não satisfeitas de mais de um terço, e uma taxa de gravidez na adolescência de cerca de 160 por 1 000 raparigas de 15 a 19 anos; mais de um terço das raparigas são mães antes dos 18 anos. Nas cidades, a pílula e a pílula de emergência vendem-se sem receita nas farmácias privadas, a preços acessíveis. A esterilização voluntária é praticada nos hospitais a pedido, sem lei específica. A educação sexual nas escolas é embrionária, e as normas sociais — o desejo de filhos numerosos, a oposição dos maridos, as igrejas — pesam mais do que a lei, que não restringe nada.
Os pontos-chave
| Onde | Centros de saúde e maternidades públicas (gratuito); farmácias privadas |
|---|---|
| Métodos públicos | Oferta: pílulas, injetável de três em três meses, implante, DIU de cobre, preservativos e pílula de emergência, com faltas frequentes de stock |
| Farmácia | A pílula e a pílula de emergência dispensam receita e custam alguns milhares de kwanzas |
| Utilização | 13 % das mulheres em casal (método moderno); necessidades não satisfeitas de mais de um terço |
| Gravidez na adolescência | Cerca de 160 por 1 000 raparigas de 15 a 19 anos; mais de um terço mães antes dos 18 |
| Esterilização | Praticada a pedido nos hospitais; sem lei específica |
| Lei | Nenhuma restrição legal; obstáculos sociais e logísticos |
Na prática
- No centro de saúde ou na maternidade, a consulta de planeamento familiar e o método não custam nada enquanto houver stock; o injetável trimestral e o implante são os mais fáceis de obter e os mais discretos para as mulheres cujo marido se opõe.
- Em caso de rutura, as farmácias privadas de Luanda e das cidades vendem as pílulas (alguns milhares de kwanzas por mês) e a pílula de emergência (até 72 horas), sem receita.
- As adolescentes dispõem dos centros de saúde e dos serviços para jovens de parceiros como o UNFPA e as ONG, em princípio sem a presença dos pais, embora o acolhimento varie na prática.
- Os programas contra o VIH distribuem preservativos de graça, e farmácias e mercados vendem-nos barato.
- A laqueação e a vasectomia pedem-se nos hospitais provinciais; a laqueação após uma cesariana é corrente a pedido.
Custos e cobertura
Gratuito nos centros de saúde públicos quando há stock; 1 000 a 5 000 kwanzas por mês para a pílula na farmácia; alguns milhares de kwanzas para a pílula de emergência; os implantes e DIU privados custam dezenas de milhares de kwanzas.
Mudanças recentes
O Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário e o UNFPA fixaram objetivos de duplicação da utilização da contraceção até 2025-2030, com a extensão dos implantes e a formação das parteiras; o novo inquérito IIMS em curso deverá medir os progressos; a gravidez na adolescência continua massiva.
A quem recorrer
- Centros de saúde e maternidades públicas (Maternidade Lucrécia Paím em Luanda).
- UNFPA Angola e ONG de saúde reprodutiva (Rede Mulher Angola).
- A pílula e a pílula de emergência compram-se nas farmácias privadas.
Convém saber
Em Angola, a contraceção é legal, gratuita e quase inexistente: uma mulher em oito usa um método moderno, e as ruturas de stock nos centros de saúde são a regra. O injetável e o implante — discretos, longos — são os mais adaptados quando a oferta existe, e as farmácias das cidades vendem a pílula de emergência sem receita.
Fontes
- Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS 2015-2016) — Angola — INE e Ministério da Saúde, programa DHS
- UNFPA Angola — planeamento familiar
- Ministério da Saúde de Angola — programa de saúde reprodutiva
Aborto
O Código Penal de 2020 (Lei 38/20, em vigor desde fevereiro de 2021) mantém o aborto como crime — dois a oito anos de prisão para quem o pratica, pena menor para a mulher — mas alargou as exceções do antigo código de 1886: a interrupção não é punível quando é o único meio de afastar um perigo de morte para a mulher, quando a gravidez resulta de violação, ou quando o feto é inviável; e a pena é especialmente atenuada quando a interrupção é indicada para evitar um perigo de dano grave e duradouro para a integridade física ou psíquica da mulher e ocorre nas primeiras 16 semanas, ou quando há fortes razões para prever que o feto sofrerá de doença grave ou malformação incurável. A proposta inicial de 2017, que teria penalizado todo o aborto, foi retirada após manifestações. Nenhum serviço público organiza os abortos permitidos, e a interpretação das exceções é deixada aos médicos e aos tribunais. Os abortos clandestinos são estimados em centenas de milhares por ano, com misoprostol comprado nos mercados ou métodos tradicionais, e as suas complicações são uma das primeiras causas de mortalidade materna, entre as mais altas do mundo.
Os pontos-chave
| Regra | Crime: dois a oito anos para quem pratica; pena menor para a mulher |
|---|---|
| Não punível | Único meio de afastar um perigo de morte; gravidez resultante de violação; feto inviável |
| Pena especialmente atenuada | Perigo grave para a saúde física ou psíquica nas primeiras 16 semanas; doença grave ou malformação incurável do feto |
| Serviços | Nenhum serviço organizado; hospitais públicos caso a caso |
| Medicamentos | Misoprostol vendido nos mercados sem controlo; mifepristona não disponível |
| Clandestinidade | Centenas de milhares por ano; causa importante de mortalidade materna |
| Contraceção pós-aborto | Cuidados pós-aborto nos hospitais, sem denúncia em princípio |
Na prática
- Uma mulher grávida na sequência de uma violação ou cuja vida está em perigo dirige-se a um hospital público (Maternidade Lucrécia Paím em Luanda, hospitais provinciais) com, se possível, a queixa ou o relatório médico; a decisão cabe aos médicos, e a recusa é frequente por medo do processo.
- Os cuidados pós-aborto — hemorragia, infeção — são prestados nos hospitais sem que a mulher deva ser denunciada; ir ao hospital cedo salva vidas.
- O misoprostol dos mercados é muitas vezes falso ou mal dosado; as organizações de saúde sexual informam sobre as doses e os sinais de alerta sem poder prescrever.
- As angolanas que o podem pagar viajam para abortar: em Portugal, até às 10 semanas e por algumas centenas de euros se não forem residentes, na África do Sul ou em Moçambique, até às 12 semanas.
- A contraceção — gratuita nos centros de saúde, mas pouco disponível — é a única prevenção; menos de 15 % das mulheres usam um método moderno.
Custos e cobertura
Os abortos permitidos são gratuitos nos hospitais públicos quando são aceites; uma viagem para Portugal ou a África do Sul custa várias centenas de euros.
Mudanças recentes
O Código Penal de 2020 alargou as exceções após o recuo de 2017; nenhum regulamento organizou desde então o acesso aos abortos permitidos; as organizações de mulheres pedem a despenalização nas primeiras 12 semanas, como em Moçambique; a mortalidade materna continua entre as mais altas do mundo.
A quem recorrer
- Maternidade Lucrécia Paím (Luanda) e hospitais provinciais para os casos permitidos e os cuidados pós-aborto.
- Associações de saúde sexual e reprodutiva (Rede Mulher Angola, Ondjango Feminista).
- Centros de saúde para a contraceção gratuita.
Convém saber
A lei angolana permite hoje o aborto em caso de violação e de perigo para a vida, mas nenhum hospital o organiza e os médicos recusam por medo: na prática, quase todos os abortos continuam clandestinos e perigosos. Uma mulher com complicações deve ir ao hospital sem esperar — os cuidados pós-aborto são um direito, e não a denunciam.
Fontes
- Código Penal angolano — Lei 38/20 (texto integral) — Serviço de Investigação Criminal
- JuLaw — a interrupção da gravidez à luz do novo Código Penal angolano — análise jurídica
- Organização Mundial da Saúde — aborto — recomendações
Drogas e estupefacientes
O consumo e a posse de drogas são crime em Angola — punidos com prisão ou multa pela Lei 3/99 e pelo Código Penal de 2020, com tratamento possível em substituição —, e o tráfico com penas pesadas; a cannabis («liamba»), cultivada no país, é a droga dominante, a cocaína em trânsito progride; o tratamento público é quase inexistente fora de Luanda; o álcool, vendido a partir dos 18 anos, é a primeira dependência.
A Lei 3/99 sobre o tráfico e consumo de estupefacientes e o Código Penal de 2020 punem o consumo e a posse para uso pessoal com prisão até um ano ou multa, substituível por tratamento se o consumidor o aceitar, e o tráfico com prisão de vários anos — até vinte para as grandes quantidades e as redes —; a cultura de cannabis é crime. A cannabis («liamba»), cultivada nas províncias do centro e do norte, é a droga mais consumida; a cocaína, em trânsito do Brasil para a Europa e a África, e o crack progridem em Luanda; a heroína é rara. O tratamento público limita-se ao Hospital Psiquiátrico de Luanda e a alguns serviços provinciais, e algumas comunidades terapêuticas privadas ou religiosas; o Comité Interministerial de Luta contra a Droga coordena a prevenção. O álcool — cerveja, vinho, bebidas tradicionais — é a primeira dependência do país, vendido em teoria a partir dos 18 anos, com uma taxa de alcoolemia ao volante de 0,6 g/l e uma aplicação fraca; o tabaco é regulado pela Lei 27/20 (venda a partir dos 18 anos, proibição nos espaços fechados). A polícia usa muitas vezes a acusação de posse contra os jovens dos bairros.
Os pontos-chave
| Consumo e posse | É crime, com até um ano de prisão ou multa, e o tratamento pode substituir a pena (Lei 3/99 e Código Penal de 2020) |
|---|---|
| Tráfico | Prisão de vários anos, até vinte para as grandes quantidades e as redes |
| Drogas | Cannabis (liamba) dominante; cocaína e crack em progressão em Luanda |
| Tratamento | Hospital Psiquiátrico de Luanda; alguns serviços provinciais; comunidades privadas e religiosas |
| Álcool | Principal dependência do país; venda a maiores de 18 anos; limite de 0,6 g/l para conduzir |
| Tabaco | Lei 27/20: 18 anos; proibido nos espaços fechados |
| Cannabis medicinal | Não autorizada |
Na prática
- Uma pessoa detida com uma pequena quantidade arrisca a prisão preventiva e uma condenação; a assistência de um advogado ou da Ordem dos Advogados é decisiva para obter o tratamento em substituição ou a multa.
- Para se tratar, vai-se ao Hospital Psiquiátrico de Luanda ou aos serviços gratuitos de saúde mental dos hospitais provinciais; as comunidades terapêuticas religiosas também acolhem, com métodos que variam.
- As famílias podem contactar as organizações de prevenção (Centro de Estudos e Prevenção da Droga, associações) e as igrejas, que ocupam o espaço deixado pelo Estado.
- Brasileiros, portugueses e outros estrangeiros apanhados com droga no aeroporto de Luanda respondem por tráfico, arriscando penas pesadas e uma detenção em condições duras.
- O álcool ao volante é controlado nas grandes cidades; as multas e a inibição de conduzir aplicam-se.
Custos e cobertura
O tratamento nos hospitais públicos é gratuito; as comunidades privadas cobram; as multas por consumo vão de alguns milhares a dezenas de milhares de kwanzas; o advogado é caro.
Mudanças recentes
O Código Penal de 2020 manteve a criminalização do consumo; a Lei 27/20 sobre o tabaco entrou em vigor; a Polícia Nacional e o Serviço de Investigação Criminal multiplicam as apreensões de cocaína em trânsito; nenhuma política de redução de riscos existe.
A quem recorrer
- Hospital Psiquiátrico de Luanda e serviços de saúde mental provinciais.
- Comité Interministerial de Luta contra a Droga; Centro de Estudos e Prevenção da Droga.
- Em caso de detenção, contactar a Ordem dos Advogados de Angola.
Convém saber
Em Angola, consumir é um crime e o tratamento quase não existe: um jovem detido com liamba arrisca a prisão, e uma pessoa dependente de crack só encontra o hospital psiquiátrico de Luanda ou uma igreja. O álcool, legal e omnipresente, faz muito mais estragos do que todas as drogas ilegais.
Fontes
- Código Penal angolano — Lei 38/20 — Serviço de Investigação Criminal
- Ministério da Saúde de Angola — saúde mental — serviços
- UNODC — África Austral — dados sobre o tráfico e o consumo
