Quando falar de infertilidade
A medicina fala de infertilidade ao fim de doze meses de relações regulares sem contraceção e sem gravidez — seis meses se a mulher tiver mais de 35 anos. Atinge de 10 a 15 % dos casais, com causas femininas, masculinas ou mistas em proporções comparáveis, e inexplicadas num caso em dez. O primeiro balanço é simples: um espermograma para o homem, um balanço hormonal, uma ecografia e uma verificação das trompas para a mulher. Consultar cedo conta, porque a fertilidade feminina baixa nitidamente depois dos 35 anos e as técnicas funcionam melhor antes.
As técnicas
- A estimulação ovárica: medicamentos para obter uma ou várias ovulações; simples, primeira etapa.
- A inseminação: esperma preparado depositado no útero no momento da ovulação; de 10 a 15 % de gravidezes por tentativa.
- A fertilização in vitro (FIV): ovócitos colhidos depois de estimulação, fecundados em laboratório, embriões transferidos; de 25 a 35 % de gravidezes por transferência antes dos 35 anos, muito menos depois dos 40.
- A ICSI: um espermatozoide injetado em cada ovócito, para as infertilidades masculinas.
- A doação de esperma, de ovócitos ou de embriões, quando os gâmetas do casal não bastam; anónima ou não segundo o país — não anónima em Portugal desde 2018, anónima no Brasil.
- A vitrificação dos ovócitos ou dos embriões, para adiar ou para não recomeçar uma estimulação.
- A gestação de substituição: regulada em Portugal desde 2021 com condições estritas (mulher sem útero, gestante voluntária sem pagamento), tolerada no Brasil entre familiares por resolução médica, proibida ou inexistente nos outros países.
Quem tem acesso
É a pergunta em que os países mais divergem: os casais heterossexuais casados ou em união em todo o lado; as mulheres sós e os casais de mulheres em Portugal desde 2016 e no Brasil; com ou sem limite de idade — 40 anos para a mulher no SNS português para as técnicas com os próprios gâmetas —; com ou sem diagnóstico pré-implantação. Nos PALOP, a oferta limita-se a algumas clínicas privadas em Luanda e Maputo, sem lei específica. As fichas de país dão as condições exatas de cada um.
O que custa
Uma FIV custa de 3 000 a 6 000 euros com os medicamentos numa clínica privada em Portugal, de 15 000 a 30 000 reais no Brasil; uma doação de ovócitos de 5 000 a 9 000 euros. A cobertura vai da gratuidade no SNS português (com listas de espera de um a três anos) e no SUS brasileiro (poucos centros públicos, filas de anos) à ausência de cobertura nos PALOP. Muitos casais lusófonos tratam-se em Espanha para a doação de ovócitos e os prazos. As fichas de país dizem o que é coberto, e os tempos de espera.
O que os folhetos não dizem
As taxas de sucesso exprimem-se por tentativa, e são muitas vezes precisas três ou quatro tentativas; o percurso é física e psicologicamente pesado, com injeções diárias, esperas e fracassos; os casais que falam disso entre si e com um apoio psicológico atravessam-no melhor; e há um fim — decidir parar é uma decisão legítima, que os centros sérios acompanham.
