Procriação medicamente assistida — Brasil

Nenhuma lei regula a reprodução assistida: são as resoluções do Conselho Federal de Medicina — a última de 2022 — que a enquadram, aberta a todas as pessoas, casais heterossexuais, casais do mesmo sexo e pessoas sós, com doação anónima de gâmetas, «cessão temporária de útero» gratuita por uma parente, e limite de idade de 50 anos para a gestação; quase inexistente no SUS, cara no privado.

Mapa de localização — Brasil — Procriação medicamente assistida
Brasil. Mapa de localização de contornos simplificados — dados Natural Earth, domínio público.

O quadro legal

O Brasil não tem lei sobre a reprodução assistida — dezenas de projetos dormem no Congresso desde 1993 —, e a prática é regulada pelas resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM), a última a Resolução 2.320/2022: acesso a todas as pessoas capazes, casais heterossexuais, casais do mesmo sexo e pessoas sós; doação de gâmetas e embriões gratuita e anónima (salvo entre parentes até ao quarto grau para os ovócitos); número de embriões transferidos limitado segundo a idade (até dois até aos 37 anos, três depois); limite de idade de 50 anos para a gestação, salvo exceção justificada; «cessão temporária de útero» — a gestação de substituição — permitida gratuitamente por uma parente até ao quarto grau da pessoa ou do casal, ou por outra pessoa com autorização do Conselho Regional de Medicina; criopreservação e descarte dos embriões após três anos possível com consentimento; diagnóstico genético para as doenças graves; reprodução post mortem com consentimento prévio. A Lei de Biossegurança (11.105/2005) autoriza a investigação com embriões congelados há mais de três anos. O registo dos filhos nascidos de PMA — incluindo com duas mães ou dois pais — faz-se no cartório com a declaração da clínica (Provimento CNJ 63/2017). O SUS oferece a reprodução assistida em poucos hospitais universitários, com esperas de anos; o privado é caro.

Os pontos-chave

QuadroNenhuma lei; Resolução CFM 2.320/2022; Lei de Biossegurança para os embriões
AcessoTodas as pessoas capazes: casais heterossexuais, casais do mesmo sexo, pessoas sós
DadoresGratuitos e anónimos; ovócitos de parentes até ao 4.º grau permitidos
Cessão temporária de úteroGratuita; parente até ao 4.º grau, ou outra pessoa com autorização do CRM; filiação dos pais de intenção
Idade50 anos para a gestação, salvo exceção justificada; embriões transferidos limitados pela idade
SUSPoucos hospitais universitários; esperas de anos
Privado15 000 a 30 000 reais por ciclo de FIV; 20 000 a 40 000 com doação de ovócitos

Na prática

Custos e cobertura

Uma inseminação custa 3 000 a 6 000 reais, uma FIV 15 000 a 30 000, uma FIV com doação de ovócitos 20 000 a 40 000, mais os medicamentos (5 000 a 10 000 reais); os planos de saúde não cobrem a FIV (só o diagnóstico) apesar de decisões judiciais pontuais; o SUS é gratuito mas raro.

Mudanças recentes

A Resolução CFM 2.320/2022 substituiu a de 2021 e clarificou a cessão de útero e o limite de idade; o Superior Tribunal de Justiça decidiu em 2023 que os planos de saúde não são obrigados a cobrir a FIV; o Congresso continua sem votar uma lei; o registo das crianças de casais do mesmo sexo é rotina desde 2017.

A quem recorrer

Convém saber

O Brasil é um dos países mais abertos do mundo em direito — todas as pessoas, cessão de útero, sem lei restritiva — e um dos mais fechados na prática pelo preço: a FIV custa vários salários mínimos por mês de tratamento e o SUS quase não a oferece. E como tudo assenta numa resolução médica, uma nova resolução pode mudar as regras sem passar pelo Congresso.

Fontes e ligações oficiais

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