Procriação medicamente assistida — Macau

A Lei 14/2023 regula pela primeira vez a procriação medicamente assistida em Macau: reservada aos casais casados ou em união de facto de sexo diferente com infertilidade diagnosticada ou risco de doença hereditária grave, como método subsidiário; excluídas as mulheres sós e os casais do mesmo sexo; gestação de substituição proibida; oferta no Hospital Conde de São Januário e em unidades privadas licenciadas; muitos residentes tratam-se em Hong Kong ou no Continente.

Mapa de localização — Macau — Procriação medicamente assistida
Macau. Mapa de localização de contornos simplificados — dados Natural Earth, domínio público.

O quadro legal

Até 2023, Macau não tinha lei sobre a PMA e as técnicas eram praticadas sem quadro específico; a Lei 14/2023, aprovada pela Assembleia Legislativa, fixou o regime jurídico: as técnicas — inseminação, FIV, ICSI, diagnóstico genético pré-implantação, criopreservação — só podem ser usadas para tratar a infertilidade de casais casados ou em união de facto de sexo diferente, diagnosticada por médicos dos hospitais públicos ou das unidades de PMA, para tratar doenças graves dos filhos do casal, ou para evitar a transmissão de doenças genéticas ou hereditárias graves; a PMA é um método subsidiário, não alternativo, de procriação. As mulheres sós e os casais do mesmo sexo estão excluídos; a gestação de substituição é proibida; a doação de gâmetas e a conservação dos embriões são reguladas com limites de tempo; as unidades devem ser licenciadas pelos Serviços de Saúde. O Hospital Conde de São Januário (público) e algumas unidades privadas — incluindo hospitais de dia autorizados desde 2024 — oferecem os tratamentos; os residentes recorrem também a Hong Kong, a Zhuhai e a Guangzhou. A filiação da criança segue as regras gerais, com presunção de paternidade do marido consentinte.

Os pontos-chave

LeiLei 14/2023 — regime jurídico da procriação medicamente assistida
AcessoCasais casados ou em união de facto de sexo diferente; infertilidade diagnosticada, doença grave dos filhos ou risco genético
ExcluídosMulheres sós, casais do mesmo sexo
Gestação de substituiçãoProibida
TécnicasInseminação, FIV, ICSI, diagnóstico pré-implantação, criopreservação, doação regulada
OfertaHospital Conde de São Januário (público); unidades privadas e hospitais de dia licenciados
CustoGratuito ou quase no público para os residentes; 80 000 a 150 000 MOP por ciclo no privado

Na prática

Custos e cobertura

Gratuito ou quase no Hospital Conde de São Januário para os residentes, com esperas; 80 000 a 150 000 patacas por ciclo de FIV no privado; 100 000 a 200 000 dólares de Hong Kong em Hong Kong; nenhum seguro obrigatório cobre.

Mudanças recentes

A Lei 14/2023 entrou em vigor em 2024 e as primeiras licenças foram atribuídas às unidades privadas; os hospitais de dia foram autorizados a prestar serviços de PMA em 2024; o Continente flexibilizou em 2023-2024 o acesso à PMA para encorajar a natalidade, o que abre opções aos residentes casados.

A quem recorrer

Convém saber

Macau regulou tarde e de forma restritiva: só os casais heterossexuais com infertilidade diagnosticada têm acesso, e a gestação de substituição é proibida. Uma criança nascida de PMA no estrangeiro por uma mulher só ou um casal de mulheres é registada em Macau com uma só mãe, e uma criança nascida por gestação de substituição no estrangeiro coloca um problema de filiação que um advogado deve antecipar.

Fontes e ligações oficiais

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