O quadro legal
Moçambique não tem lei sobre a procriação medicamente assistida: a Lei da Família de 2004 não a menciona, salvo para presumir a paternidade do marido que consentiu na inseminação, e nenhum regulamento específico do Ministério da Saúde enquadra a prática. Uma ou duas clínicas privadas de Maputo oferecem desde meados dos anos 2010 a inseminação e a FIV, muitas vezes com parceiros sul-africanos, sem registo público dos resultados nem regras sobre a doação, os embriões ou o anonimato; a gestação de substituição não é regulada. O Serviço Nacional de Saúde não oferece a PMA e nenhum seguro a cobre. Os casais com meios tratam-se na África do Sul — a duas horas de Maputo, com clínicas reguladas e menos caras do que a Europa — ou em Portugal. A infertilidade afeta cerca de 15 % dos casais, com uma parte importante de causas infeciosas tratáveis (IST, sequelas de abortos), e a mulher infértil é frequentemente repudiada ou levada a aceitar uma coesposa.
Os pontos-chave
| Lei | Nenhuma; a Lei da Família só presume a paternidade do marido consentinte |
|---|---|
| Oferta | Uma ou duas clínicas privadas em Maputo; nenhuma no público |
| Doação, embriões, gestação de substituição | Não reguladas |
| Comparticipação | Nenhuma |
| Custo | Várias centenas de milhares de meticais por ciclo em Maputo; 3 000 a 5 000 € na África do Sul |
| Destinos | África do Sul, Portugal |
| Filiação | A mulher que dá à luz é a mãe; o marido que consentiu é o pai |
Na prática
- Um casal infértil começa por um ginecologista e um exame do esperma: as causas infeciosas são frequentes em Moçambique e tratam-se no público; a cirurgia das trompas é possível em Maputo.
- As clínicas de fertilidade de Maputo devem ser interrogadas sobre a sua equipa, o laboratório e os resultados, que nenhuma autoridade publica.
- O tratamento na África do Sul (Joanesburgo, Pretória, Durban, Cidade do Cabo) é a opção mais corrente: clínicas reguladas pela lei sul-africana, 3 000 a 5 000 euros por ciclo, sem visto para os moçambicanos para estadias curtas.
- Uma criança nascida de doação no estrangeiro é registada em Moçambique como filha do casal; a gestação de substituição, legal na África do Sul para os residentes só, não é acessível aos moçambicanos.
Custos e cobertura
Várias centenas de milhares de meticais por ciclo em Maputo; 3 000 a 5 000 euros na África do Sul, 3 000 a 6 000 em Portugal, mais a viagem; nenhuma comparticipação; o diagnóstico e o tratamento das infeções são acessíveis no público.
Mudanças recentes
Nenhum quadro legal foi adotado; a revisão da Lei da Família em 2019 não abordou a PMA; a oferta privada em Maputo cresce lentamente com parceiros sul-africanos.
A quem recorrer
- Ginecologistas dos hospitais centrais de Maputo, Beira e Nampula para o diagnóstico.
- Clínicas privadas de fertilidade de Maputo.
- Clínicas sul-africanas reguladas (SASREG, a sociedade sul-africana de medicina reprodutiva) para o tratamento no estrangeiro.
Convém saber
Metade das infertilidades são masculinas, e uma boa parte das femininas em Moçambique vem de infeções tratáveis: o diagnóstico completo do casal, acessível no público, deve preceder qualquer FIV. E as clínicas sem controlo público devem ser escolhidas com prudência — a África do Sul, a duas horas, oferece um quadro regulado.
Fontes e ligações oficiais
- Ministério da Saúde de Moçambique — saúde sexual e reprodutiva
- Organização Mundial da Saúde — infertilidade — dados e recomendações
- SASREG — Southern African Society of Reproductive Medicine — clínicas sul-africanas
Ligações verificadas para fontes oficiais ou de referência. Abrem num novo separador.
