Primeiro: quase nunca se notam
A clamídia, a gonorreia, o VIH nos primeiros anos, a hepatite B, o HPV e muitas vezes a sífilis não dão nenhum sintoma, ou sintomas que desaparecem sozinhos enquanto a infeção fica. É por isso que «sinto-me bem» e «ele parece saudável» não querem dizer nada, e que o teste é a única resposta. As IST não tratadas têm consequências — infertilidade, complicações na gravidez, cancros — que se evitam com um diagnóstico.
As principais infeções
- Clamídia: a mais frequente nos jovens, silenciosa, causa de infertilidade feminina; trata-se com um antibiótico.
- Gonorreia: ardor ou corrimento nos homens, muitas vezes nada nas mulheres; resistências aos antibióticos em aumento.
- Sífilis: uma úlcera indolor que desaparece, depois erupções, depois anos de silêncio; em forte aumento na Europa e no Brasil, onde a sífilis congénita é um problema de saúde pública; trata-se com penicilina.
- VIH: nenhum sintoma durante anos; um tratamento diário torna a carga viral indetetável e não transmissível; a profilaxia pré-exposição (PrEP) protege quem não está infetado; a África lusófona, Moçambique em particular, tem prevalências entre as mais altas do mundo.
- Hepatite B: vacina eficaz, no calendário vacinal em Portugal, no Brasil e nos PALOP; a hepatite C trata-se hoje em poucas semanas.
- HPV: vírus quase universal, causa dos cancros do colo do útero e de outros; a vacina protege raparigas e rapazes, e o rastreio (citologia, teste HPV) deteta as lesões.
- Herpes genital: vesículas dolorosas e recorrentes; não se cura mas controla-se.
- Tricomoníase, micoplasmas: frequentes, curáveis.
Os testes
Uma colheita de sangue (VIH, sífilis, hepatites) e uma colheita de urina ou uma zaragatoa (clamídia, gonorreia) bastam; o teste do VIH é fiável seis semanas depois do risco, os outros antes. Faz-se no médico, num centro de rastreio (gratuito e anónimo em Portugal nos CAD e nas associações, no Brasil nos CTA e nas UBS) ou num consultório, com um autoteste do VIH em farmácia. Quando: no início de cada nova relação — juntos, é mais simples —, depois de uma relação não protegida, e uma vez por ano se se tiver vários parceiros.
Prevenção
- O preservativo, masculino ou feminino, em cada relação com um parceiro não testado: protege de quase tudo, exceto do que se transmite por contacto cutâneo (HPV, herpes) fora da zona coberta; distribuído gratuitamente nos centros de saúde de Portugal e do Brasil.
- As vacinas: HPV (raparigas e rapazes, idealmente antes das primeiras relações, gratuita nos calendários vacinais de Portugal e do Brasil), hepatite B, hepatite A para alguns.
- A PrEP contra o VIH para quem está exposto, gratuita no SNS português e no SUS brasileiro, em expansão nos PALOP.
- O teste em conjunto no início de uma relação, antes de deixar o preservativo.
Se o teste for positivo
Quase todas as IST se tratam, e todas se controlam. O tratamento toma-se até ao fim, o parceiro deve ser informado e tratado mesmo sem sintomas — os serviços de notificação anónima existem —, e evita-se qualquer relação até ao fim do tratamento. Uma IST não diz nada sobre a fidelidade de ninguém: algumas ficam silenciosas durante anos. As fichas de país sobre a contraceção e sobre o aborto indicam os centros onde se consulta gratuitamente.
