O quadro legal
Cabo Verde não tem lei sobre a procriação medicamente assistida e nenhum centro de FIV: o Código Civil de 1997 só presume a paternidade do marido que consentiu na inseminação, e o Serviço Nacional de Saúde não oferece técnicas de PMA além do diagnóstico e, em alguns serviços, da inseminação simples. Os casais inférteis tratam-se em Portugal — Lisboa e Porto, a quatro horas de voo, com centros públicos e privados regulados, e uma comunidade cabo-verdiana que acolhe —, por vezes no Senegal ou no Brasil. O programa de evacuações sanitárias para Portugal (junta médica) cobre as doenças graves, não a infertilidade. A diáspora paga muitas vezes os tratamentos. A infertilidade afeta cerca de 10 a 15 % dos casais, com causas infeciosas tratáveis frequentes. A doação de gâmetas, a gestação de substituição e a filiação das crianças nascidas de PMA não são reguladas; a criança nascida no estrangeiro é registada como filha do casal.
Os pontos-chave
| Lei | Nenhuma; o Código Civil só presume a paternidade do marido consentinte |
|---|---|
| Oferta | Nenhum centro de FIV; diagnóstico e inseminação simples na Praia e no Mindelo |
| Evacuação sanitária | Não cobre a infertilidade |
| Destino | Portugal sobretudo; Senegal, Brasil |
| Custo | 3 000 a 6 000 € por ciclo em Portugal mais a viagem e a estadia |
| Comparticipação | Nenhuma; o INPS não cobre |
| Filiação | A mulher que dá à luz é a mãe; o marido que consentiu é o pai |
Na prática
- Um casal infértil começa pelo ginecologista do hospital Agostinho Neto (Praia) ou Baptista de Sousa (Mindelo): o diagnóstico do casal — exame do esperma, ecografia, hormonas — faz-se no arquipélago, e as infeções tratam-se.
- Para a FIV, os casais escolhem em regra um centro privado de Lisboa ou do Porto (lista no CNPMA), com uma primeira consulta à distância e uma estadia de duas a três semanas para o ciclo; alguns centros oferecem programas para os casais dos PALOP.
- Os cabo-verdianos residentes em Portugal têm acesso ao SNS português nas mesmas condições que os portugueses, com as suas listas de espera.
- A doação de gâmetas em Portugal não é anónima: a criança poderá conhecer o dador aos 18 anos; o casal decide o que lhe dirá.
- A criança nascida em Portugal de um casal cabo-verdiano é registada no consulado ou na conservatória portuguesa e transcrita em Cabo Verde.
Custos e cobertura
3 000 a 6 000 euros por ciclo de FIV em Portugal, 5 000 a 8 000 com doação de ovócitos, mais os medicamentos, a viagem e a estadia; nenhuma comparticipação cabo-verdiana; o diagnóstico é acessível no SNS cabo-verdiano.
Mudanças recentes
Nenhum quadro legal foi adotado; parcerias com centros portugueses são discutidas para consultas à distância; a inseminação simples desenvolve-se nos hospitais centrais.
A quem recorrer
- Hospitais Agostinho Neto (Praia) e Baptista de Sousa (Mindelo) para o diagnóstico.
- CNPMA (Portugal): lista dos centros autorizados.
- Consulados de Cabo Verde em Portugal para o registo dos nascimentos.
Convém saber
Cabo Verde não tem FIV e não a paga: um casal deve prever de 5 000 a 10 000 euros por tentativa em Portugal, viagem incluída, e várias tentativas são muitas vezes necessárias. O diagnóstico completo no arquipélago, antes de partir, evita viagens inúteis — e uma parte das infertilidades trata-se sem FIV.
Fontes e ligações oficiais
- Ministério da Saúde de Cabo Verde — saúde reprodutiva, evacuações
- CNPMA (Portugal) — centros autorizados — tratamento em Portugal
- Organização Mundial da Saúde — infertilidade — dados
Ligações verificadas para fontes oficiais ou de referência. Abrem num novo separador.
