Origens múltiplas
A maioria dos nomes do mundo lusófono vem de quatro grandes fundos: hebraico pela Bíblia (João, Maria, Miguel, Isabel, Davi), greco-latino (Alexandre, Sofia, Júlia, Marcos, Helena, Lourenço), germânico trazido pelos suevos e visigodos (Afonso, Rodrigo, Fernando, Henrique, Matilde, Guilherme) e árabe, herdado de séculos de al-Andalus (Fátima, Omar, Almada, Zaida). Juntam-se os nomes da devoção mariana, tão característicos — Conceição, Fátima, Lurdes, Dores, Aparecida no Brasil —, e, do outro lado do Atlântico, os nomes tupi (Iara, Jaci, Ubirajara, Moacir), africanos e, mais recentemente, anglo-saxónicos, que refletem a história das migrações e das influências culturais.
Muitos nomes são na origem palavras com sentido: Sofia significa «sabedoria» em grego, Clara «luminosa» em latim, Fabiano remete para uma família romana, Luís para «combatente glorioso» em germânico, Ali para «elevado» em árabe. Esse significado não tem evidentemente nenhum efeito sobre a pessoa que o usa — mas explica muitas vezes porque é que um nome foi dado durante séculos.
O peso dos santos e do calendário
Durante mais de mil anos, a escolha do nome foi, em todo o mundo cristão, largamente ditada pelo calendário litúrgico: dava-se o nome do santo do dia do nascimento ou do batismo, ou o de um padrinho, de uma madrinha, de um avô. Esta tradição explica a fraquíssima diversidade dos nomes até ao século XIX: algumas dezenas de nomes cobriam o essencial da população, e uma aldeia podia contar com uma maioria de Manuel e de Maria. Em Portugal, a própria lei fixava até 1911 a obrigação de um nome do calendário católico.
Modas que se medem
A liberalização da escolha (ver o que diz a lei) e a difusão dos media provocaram uma explosão da diversidade: contam-se hoje várias dezenas de milhares de nomes diferentes atribuídos todos os anos, e os nomes mais dados já não representam mais do que uma parte ínfima dos nascimentos, quando Maria cobria outrora perto de um quarto das meninas.
Os nomes seguem ciclos muito regulares, estudados nomeadamente pelos sociólogos Philippe Besnard e Guy Desplanques: um nome emerge num meio social, difunde-se, culmina e depois declina quando se tornou demasiado espalhado — antes de reaparecer duas a três gerações depois, quando já ninguém o associa aos seus avós. É o que explica o regresso de Leonor, Matilde, Benedita, Afonso ou Duarte em Portugal, e de Helena, Cecília, Aurora ou Arthur no Brasil.
Consultar as estatísticas oficiais
A maioria dos países publica um ficheiro de nomes, mantido pelo instituto estatístico nacional ou pelo registo civil, com profundidades históricas muito variáveis. É a única fonte fiável para saber quantas pessoas usam um nome, em que época culminou, e que idade têm hoje as pessoas que o usam: ver as fontes disponíveis país a país.
