A infeção
Mycoplasma genitalium é uma bactéria de dimensões muito pequenas, identificada nos anos 1980 e reconhecida desde então como causa frequente de uretrite não gonocócica no homem e de cervicite na mulher. O seu crescimento muito lento impediu durante muito tempo o seu estudo, e o seu diagnóstico só se tornou possível na prática corrente com as técnicas de amplificação génica. Coloca hoje um problema maior de resistência aos macrólidos, superior a 50 % em muitas regiões.
Os pontos-chave
| Agente | Bactéria Mycoplasma genitalium |
|---|---|
| Formas sem sintomas | Muito frequentes |
| Teste | PCR, unicamente em caso de sintomas ou de uretrite persistente |
| Rastreio sistemático | Não recomendado: favorece as resistências |
| Resistência aos macrólidos | Superior a 50 % em muitos países |
| Cura | Sim, mas a escolha do antibiótico deve ser guiada |
| Vacina | Nenhuma |
Como se transmite
A transmissão é sexual, nas relações vaginais e anais, e provavelmente nas relações orais, embora a colonização faríngea seja rara. Como nas outras infeções bacterianas genitais, a frequência das formas assintomáticas mantém a circulação da bactéria. A presença da bactéria numa pessoa sem qualquer sintoma é frequente e não justifica sistematicamente um tratamento.
Os sintomas
No homem, a infeção manifesta-se por uma uretrite: corrimento claro e pouco abundante, desconforto ou ardor ao urinar, muitas vezes menos marcados do que numa gonorreia. Na mulher pode provocar uma cervicite, hemorragias após as relações, dores pélvicas ou uma inflamação pélvica. Em ambos os casos a infeção é muitas vezes totalmente assintomática, o que complica a interpretação de um teste positivo.
O teste
O diagnóstico baseia-se numa PCR, realizada na urina ou numa colheita genital. O rastreio sistemático das pessoas sem sintomas não é recomendado: leva a tratar portadores que não tiram daí nenhum benefício e acelera a seleção de resistências. O teste está indicado perante uma uretrite ou uma cervicite, e sobretudo perante sintomas que persistem após o tratamento de uma clamídia. Quando é possível, realiza-se um teste de resistência aos macrólidos na mesma colheita.
O tratamento
O esquema habitual associa uma primeira fase de doxiciclina, que reduz a carga bacteriana, e depois um segundo antibiótico escolhido segundo o perfil de resistência: azitromicina se a estirpe for sensível aos macrólidos, moxifloxacina no caso contrário. Recomenda-se um controlo após o tratamento. O uso empírico de azitromicina sozinha, praticado durante muito tempo, é hoje desaconselhado porque gera resistências.
Sem tratamento
Na mulher, a infeção está associada a inflamações pélvicas e, segundo alguns estudos, a um risco aumentado de infertilidade tubária e de parto prematuro, embora o nível de prova continue inferior ao da clamídia. No homem mantém uretrites crónicas recidivantes, muitas vezes tratadas repetidamente sem diagnóstico preciso.
A prevenção
- O preservativo protege nas relações vaginais e anais.
- Não pedir um teste na ausência de sintomas: um resultado positivo numa pessoa assintomática coloca mais problemas do que resolve.
- Perante uma uretrite que persiste apesar de um tratamento, pedir expressamente a pesquisa de micoplasma.
- Nunca retomar um antibiótico que sobrou de um tratamento anterior.
Depois do diagnóstico
- Tratar os parceiros unicamente segundo as recomendações em vigor, que variam consoante os países.
- Evitar as relações até ao fim do tratamento.
- Realizar o controlo após o tratamento na data indicada, sobretudo em caso de resistência conhecida.
- Assinalar qualquer fracasso do tratamento: orienta a escolha seguinte.
Para reter
É a única infeção desta lista para a qual o teste sem sintomas é desaconselhado. Procurar sistematicamente esta bactéria equivale a tratar pessoas que não precisam e a fabricar resistências.
Um pouco de história
Mycoplasma genitalium é o mais novo dos micróbios desta secção: é isolado em 1980 em Londres, no hospital St Mary's, na uretra de dois homens com uretrite cuja causa não se encontrava, por Joseph Tully e David Taylor-Robinson, que publicam a descoberta em 1981. Muito difícil de cultivar — vários meses para uma única estirpe —, permanece durante vinte anos uma curiosidade de laboratório.
Torna-se célebre por outra razão: em 1995, o seu genoma é um dos primeiros sequenciados por inteiro, e é o mais pequeno conhecido de um organismo capaz de se reproduzir sozinho, cerca de 580 000 pares de bases; em 2008, a equipa de Craig Venter monta-o quimicamente, primeiro genoma bacteriano sintético. São os testes de amplificação génica dos anos 2000 que permitem enfim detetá-lo por rotina e medir a sua frequência.
As recomendações britânicas e depois americanas só o reconhecem como causa de IST de pleno direito nos anos 2010, com uma dificuldade nova: metade das estirpes já resiste aos macrólidos em vários países, e o antibiograma faz-se por teste genético de resistência antes mesmo de tratar.
As diferenças entre países
É a infeção em que as recomendações nacionais mais divergem, por falta de um consenso internacional estabilizado.
- É preciso testar? Vários países desaconselham formalmente o teste nas pessoas sem sintomas; outros incluem-no em painéis comerciais vendidos diretamente ao público, o que acaba por tratar portadores sãos.
- Teste de resistência. A pesquisa da resistência aos macrólidos na mesma colheita está disponível por rotina apenas em alguns países; noutros, o tratamento faz-se às cegas.
- Tratamento do parceiro. Recomendado em alguns países, deixado ao critério do clínico noutros.
- Disponibilidade dos antibióticos. A moxifloxacina, necessária em caso de resistência, não está acessível em todo o lado ao mesmo custo.
- Painéis vendidos online. A sua difusão fez explodir o número de diagnósticos em pessoas assintomáticas, com um efeito direto na resistência.
