Página de informação médica, sem detalhes anatómicos inúteis. Os órgãos genitais variam muito de pessoa para pessoa: a primeira consulta útil, antes de qualquer cirurgião, é a de um ginecologista ou de um urologista que dirá se o que se julga anormal o é.
Nas mulheres
- Labioplastia (redução dos pequenos lábios): a operação íntima mais frequente, mais de 150 000 por ano no mundo segundo a ISAPS, com o Brasil em primeiro lugar, e em forte aumento entre as menores de 25 anos por efeito da pornografia e das redes. Indicação médica real quando a hipertrofia incomoda no desporto, na roupa ou nas relações; senão, uma escolha estética de bom resultado mas cujas complicações (cicatrizes dolorosas, assimetria, perda de sensibilidade, secura) atingem 5 a 10 % das pacientes. Custo 2 000 a 4 000 € ou 8 000 a 15 000 reais; sem comparticipação salvo hipertrofia invalidante; no Brasil o CFM e a SBCP desaconselham a cirurgia íntima estética em menores de 18 anos.
- «Rejuvenescimento» e «aperto» vaginais: a vaginoplastia cirúrgica (perineoplastia) justifica-se após lacerações do parto ou um prolapso; os lasers e radiofrequências vaginais vendidos contra a secura, a incontinência ou a «flacidez» não provaram a sua eficácia, e a FDA americana alertou em 2018 para queimaduras, cicatrizes e dor crónica; as sociedades de ginecologia recomendam primeiro a fisioterapia do pavimento pélvico.
- Himenoplastia (reconstrução do hímen antes de um casamento): operação curta e sem interesse médico, que responde a uma exigência de virgindade e não prova nada (metade das mulheres não sangra na primeira relação). É legal em Portugal e no Brasil e praticada discretamente em clínicas privadas (1 500 a 3 000 €), sobretudo a pedido de mulheres de famílias muito tradicionais ou da imigração; em Angola, Moçambique e na Guiné-Bissau é rara e informal. No Reino Unido é crime desde 2022 (até cinco anos de prisão), a Suécia pune-a desde 1 de dezembro de 2025, a França proíbe os certificados de virgindade desde 2021. A OMS condena os «testes de virgindade» desde 2018.
- Reparação após excisão: a reconstrução do clítoris desenvolvida pelo cirurgião francês Pierre Foldès liberta a parte enterrada do órgão e recoloca-a; resultados (Lancet, 2012, 2 938 mulheres): menos dor na maioria, prazer clitoriano recuperado ou aparecido em mais de metade. Em Portugal, onde a Lei 83/2015 pune a mutilação com 2 a 10 anos de prisão (art. 144.º-A do Código Penal) e onde vivem milhares de mulheres da Guiné-Bissau excisadas, o SNS faz a desinfibulação (reabertura, urgente antes de um parto) nas consultas de referência (Lisboa, Setúbal, Porto), e a reconstrução é feita em poucos centros (Lisboa) e sobretudo em Paris ou Bruxelas. Na Guiné-Bissau (cerca de metade das mulheres excisadas, prática proibida desde 2011) não há reconstrução; no Brasil a prática não existe; em Moçambique e Angola é marginal.
Nos homens
- Aumento e engrossamento do pénis: o comprimento médio em ereção é de 13,1 cm (meta-análise Veale, 2015, 15 500 homens), e 45 % dos homens gostariam de ser maiores enquanto 85 % das mulheres se dizem satisfeitas com o tamanho do parceiro. Nenhum método aumenta de forma fiável um pénis normal: a secção do ligamento suspensor ganha 1 a 2 cm em repouso e nada em ereção, com risco de instabilidade; as injeções de ácido hialurónico engrossam temporariamente (um ano); os implantes de silicone sob a pele (Penuma, autorizado nos Estados Unidos) causam infeções e deformações num caso em dez; as injeções de silicone, vaselina, óleo ou PMMA — uma epidemia no Brasil — provocam necroses, amputações e mortes. A cirurgia só se justifica no micropénis verdadeiro (menos de 7 cm em ereção); os urologistas lembram que a preocupação excessiva com o tamanho é muitas vezes dismorfofobia, que se trata sem bisturi.
- Fimose, freio curto, circuncisão: ver Circuncisão; a frenuloplastia (freio demasiado curto, doloroso ou que se rasga) é um gesto de vinte minutos, comparticipado.
- Doença de Peyronie (curvatura dolorosa por placa fibrosa, 3 a 9 % dos homens): injeções de colagenase ou cirurgia de correção (Nesbit, enxerto) após um ano de estabilização.
- Próteses penianas para a disfunção erétil resistente aos medicamentos: satisfação elevada (85 a 90 %), infeção em 1 a 3 % dos casos.
- Vasectomia e laqueação: ver Contraceção.
O que a lei proíbe em todos os casos
Qualquer intervenção nos órgãos genitais de uma menor sem razão médica é uma mutilação (art. 144.º-A do Código Penal português, 2 a 10 anos, mesmo praticada no estrangeiro; no Brasil, lesão corporal gravíssima); as cirurgias «normalizadoras» precoces em crianças intersexo são proibidas em Portugal desde a Lei 38/2018 (salvo necessidade médica comprovada), em Malta, na Alemanha, na Islândia, na Grécia e em Espanha, e desaconselhadas pelo CFM brasileiro; os «testes de virgindade» são condenados pela OMS, pela ONU Mulheres e pelo Alto Comissariado para os Direitos Humanos desde 2018. E quem propõe uma operação íntima sem consulta médica prévia, num centro de estética ou por simples marcação online, exerce ilegalmente.
