Três profissões que se confundem
Não fazem o mesmo trabalho, e não é um pormenor administrativo: consoante a porta que empurrar, não obterá a mesma coisa.
- O psicólogo tem um curso universitário de psicologia, a inscrição na Ordem e um título protegido. Recebe sobretudo pessoas individualmente. Alguns têm formação adicional em terapia de casal, outros não — a pergunta faz-se logo no primeiro telefonema.
- O terapeuta de casal recebe os dois parceiros juntos e trabalha sobre o que se passa entre eles, não sobre a história de cada um. É uma formação que vem a acrescentar a uma profissão de base: psicólogo, psiquiatra, por vezes assistente social.
- O conselheiro conjugal e familiar tem uma formação mais curta, centrada na escuta, na informação e na mediação. Não faz psicoterapia. É muitas vezes a porta menos cara, por vezes gratuita, e a mais rápida de abrir.
- O psiquiatra é médico: pode prescrever, e é o endereço certo quando uma depressão, uma dependência ou uma perturbação de ansiedade ocupa o primeiro plano.
Um título não protegido — «coach de relações», «terapeuta de casal» usado sozinho em alguns países — não garante nenhuma formação. Perguntar pelo diploma de base e pelo número de inscrição profissional não tem nada de indelicado.
Como decorre uma terapia de casal
O desenrolar é surpreendentemente padronizado de um profissional para outro.
- A primeira sessão faz-se a dois. Cada um conta porque está ali. O profissional escuta tanto a maneira de se interromperem como o conteúdo: é aí que se vê a mecânica do casal.
- Uma ou duas sessões individuais seguem-se muitas vezes, para dizer o que não se diz à frente do outro. O que aí se troca fica confidencial, mas o profissional avisa geralmente que não guardará um segredo duradouro — um projeto de separação já decidido, por exemplo, torna a continuação impossível.
- O trabalho incide sobre os esquemas repetidos e não sobre as queixas. Quem pede, quem se retira, como sobe uma discussão, o que a faz descer. Muitos casais descobrem que representam três cenas ao todo.
- A duração conta-se em dezenas de sessões, não em anos: dez a vinte sessões é uma ordem de grandeza corrente, à razão de uma de quinze em quinze dias.
- O fim não é forçosamente a manutenção do casal. Uma parte das terapias termina numa separação mais bem conduzida, o que não é um fracasso, sobretudo quando há filhos.
O que dá, e quando não convém
As terapias de casal estruturadas estão entre as intervenções psicológicas mais bem avaliadas: uma maioria dos casais está melhor no fim, e uma parte desse benefício mantém-se dois anos depois. Dois fatores preveem o resultado melhor do que o método usado: vir cedo em vez de depois de anos de desgaste, e vir porque se quer, não porque o outro o exige.
Um caso em que a terapia de casal não está indicada
Em situação de violência no casal, a terapia de casal é desaconselhada: supõe dois parceiros em pé de igualdade, o que não é o caso, e falar em sessão pode expor a represálias depois. Os dispositivos existentes dirigem-se separadamente à pessoa vítima e ao autor. O mesmo vale quando uma dependência ativa ocupa todo o espaço: trata-se primeiro.
O que impede de ir
Três objeções repetem-se, e cada uma tem uma resposta curta. «Não é assim tão grave»: os profissionais recebem muitos casais que estão mais ou menos bem e querem evitar ficar mal, e são esses que têm os melhores resultados. «Vai tomar partido»: o enquadramento consiste precisamente em não arbitrar, e um profissional que aponta um culpado faz mal o seu trabalho — pode mudar-se. «O meu companheiro recusa»: existe uma terapia individual sobre a relação, e modifica o sistema sozinha mais vezes do que se julga.
A comparticipação, país a país
É aqui que as diferenças são mais fortes, e não seguem a riqueza dos países mas a maneira como cada um classifica as dificuldades de casal: problema de saúde, ou problema de vida.
- Portugal — o SNS tem psicólogos nos centros de saúde, acessíveis pelo médico de família, com tempos de espera longos; a terapia de casal não é comparticipada, mas os Centros de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental (CAFAP), as consultas de psicologia das autarquias e as clínicas universitárias recebem de graça ou a preço reduzido; no privado, conte 50 a 90 euros por sessão.
- Brasil — o SUS oferece atendimento psicológico nas unidades básicas e nos CAPS, com capacidade limitada; os planos de saúde têm de cobrir sessões de psicologia sem limite de número desde 2022, mas a terapia de casal fica quase sempre fora; as clínicas-escola das universidades atendem a baixo custo.
- Angola e Moçambique — os psicólogos são poucos e concentrados nas capitais; as igrejas, as associações e os serviços sociais são na prática a primeira porta, gratuita, e o privado é caro.
- Cabo Verde — o serviço público tem psicólogos nos hospitais e nos centros de saúde, com listas de espera; o aconselhamento de casal passa sobretudo pelas associações e pelas paróquias.
- França e Bélgica — em França, doze sessões de psicólogo por ano são reembolsadas a 60 % para o acompanhamento individual, e o aconselhamento conjugal em centro aprovado é gratuito; na Bélgica, a psicologia de primeira linha deixa 11 euros a cargo por sessão, sem prescrição.
- Noutros lugares — a regra geral é que o acompanhamento individual é comparticipado quando existe um diagnóstico, e a terapia de casal não. As associações familiares, os serviços sociais municipais e os seguros complementares são então as três pistas a explorar antes do privado a preço inteiro.
Como escolher, concretamente
Ligue a dois ou três profissionais antes de marcar uma consulta. Bastam quatro perguntas: qual é a sua formação de base, recebe casais regularmente, quantas sessões prevê, e qual é o preço. Um profissional que responde com precisão às quatro é bom sinal. O critério que melhor prevê o que se segue não é, contudo, nenhum dos quatro: é que os dois se sintam à vontade depois da primeira sessão. Se um dos dois não está, mudar de profissional vale mais do que abandonar a ideia.
