Adoção — Suíça

A Suíça só conhece a adoção plena; desde 1 de julho de 2022 todos os casais casados podem adotar em conjunto, e a adoção do filho do companheiro está aberta desde 2018 aos casais não casados. Decide uma autoridade cantonal, depois de um ano de acolhimento; uma adoção pronunciada no estrangeiro — também em Portugal ou no Brasil — sem autorização suíça prévia não é reconhecida.

Mapa de localização — Suíça — Adoção
Suíça. Mapa de localização de contornos simplificados — dados Natural Earth, domínio público.

O quadro legal

A adoção é regulada pelos artigos 264 e seguintes do Código Civil suíço (CC / ZGB) e por uma portaria federal. Só existe a adoção plena (adoption plénière / Volladoption): a criança torna-se filha dos adotantes e os laços com a família de origem são cortados; não há adoção restrita e, portanto, nenhuma forma intermédia para uma criança mais velha ou uma situação dentro da família: o direito remete então para a curatela ou para a guarda de facto. A revisão de 1 de janeiro de 2018 baixou os limites de idade, abriu a adoção do filho do companheiro (Stiefkindadoption) aos casais de facto e do mesmo sexo e facilitou o acesso às origens; desde 1 de julho de 2022, a adoção conjunta está aberta a todos os casais casados. Para a adoção conjunta, os cônjuges devem ter 28 anos feitos e três anos de vida em comum; uma pessoa só pode adotar a partir dos 28 anos; em todos os casos, diferença de idade de 16 a 45 anos (salvo derrogação), um ano de acolhimento antes da decisão, consentimento dos pais biológicos (salvo dispensa) e da criança capaz de discernimento, que é ouvida. A autoridade cantonal — diferente de cantão para cantão — faz um inquérito social, concede a autorização de acolhimento (autorisation d'accueil / Pflegekinderbewilligung) e pronuncia a adoção. O adotado obtém a todo o tempo os dados não identificativos sobre os pais biológicos e, a partir da maioridade, a sua identidade, mesmo contra a vontade deles. A adoção internacional segue a Convenção da Haia de 1993 — Suíça parte desde 2003, tal como Portugal e o Brasil —, com intermediário autorizado e o Serviço Federal da Justiça (Office fédéral de la justice, OFJ / Bundesamt für Justiz) como autoridade central. Há cerca de uma centena de adoções internacionais por ano (500 em 2005) e outro tanto de adoções nacionais de crianças. A gestação de substituição é proibida.

Os pontos-chave

Base legalCódigo Civil suíço, artigos 264 e seguintes; portaria sobre a adoção
FormaSó adoção plena
Adoção conjuntaCasais casados, de qualquer sexo desde 2022; 28 anos feitos e três anos de vida em comum
Pessoa sóA partir dos 28 anos
Diferença de idadeDe 16 a 45 anos, com derrogações no interesse da criança
Filho do companheiroDesde 2018 também para os casais de facto com três anos de vida em comum
AcolhimentoPelo menos um ano antes da decisão, que cabe à autoridade cantonal
OrigensIdentidade dos pais biológicos a partir da maioridade
Convenção da HaiaSuíça parte desde 2003; Portugal e Brasil também
Licença de adoçãoDuas semanas desde 2023, para uma criança de menos de quatro anos

Na prática

Custos e cobertura

Autorização de acolhimento: algumas centenas de francos; adoção nacional ou do filho do cônjuge: cerca de 500 a 2 000 francos de despesas; adoção internacional: 20 000 a 40 000 francos segundo o país. Licença de adoção federal de duas semanas desde 1 de janeiro de 2023, a gozar no ano seguinte ao acolhimento de uma criança de menos de quatro anos, paga pelo regime das perdas de ganho (APG / EO); vários cantões e empregadores vão mais longe.

Mudanças recentes

O relatório do Conselho Federal de 2020 sobre as adoções ilegais de crianças do Sri Lanka nos anos 1980, seguido de estudos sobre outros países, levou a Confederação a financiar a procura das origens e a reconhecer em 2023 as irregularidades do passado; o Conselho Federal anunciou depois a intenção de proibir as adoções internacionais, cuja aplicação legislativa está em curso.

A quem recorrer

Convém saber

Uma adoção pronunciada no estrangeiro sem autorização de acolhimento suíça prévia — também em Portugal, no Brasil ou em Cabo Verde — não é reconhecida na Suíça e deixa a criança em situação irregular. E a proibição anunciada das adoções internacionais pode abranger também estes países: verifique o estado atual antes de começar. A adoção do filho do cônjuge, essa, continua rápida e frequente.

Fontes e ligações oficiais

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