O que dizem os inquéritos
Os grandes inquéritos sobre a sexualidade — em Portugal, no Brasil, em França, no Reino Unido, nos Estados Unidos — convergem: a penetração vaginal é praticada por quase todos os casais heterossexuais, o sexo oral pela grande maioria, a masturbação recíproca pela maioria, a penetração anal por uma minoria (de 10 a 20 % dos casais praticam-na mais do que ocasionalmente), e as práticas de dominação ou o uso de objetos por uma parte crescente. A frequência mediana das relações é de cerca de uma vez por semana nos casais estáveis. A pornografia não é uma estatística: mostra práticas muito menos frequentes do que faz crer.
Segurança de cada prática
- Penetração vaginal: risco de gravidez e de todas as IST; preservativo ou parceiros testados e contraceção.
- Sexo oral: risco de IST (gonorreia, sífilis, herpes, HPV, mais raramente VIH) nos dois sentidos; preservativo ou quadrado de látex para quem não está testado.
- Penetração anal: a mucosa é frágil, o risco de IST e de VIH é o mais alto, e a lubrificação é indispensável (nenhuma lubrificação natural); preservativo, lubrificante abundante, lentidão, e nenhuma passagem do ânus à vagina sem mudar de preservativo ou lavar.
- Objetos: limpos, de material são (silicone, vidro, aço), com uma base larga para o uso anal, e não partilhados sem preservativo ou lavagem.
- Práticas de dominação: uma palavra de paragem acordada, nada que comprima o pescoço (o estrangulamento erótico causa mortes todos os anos), nenhuma amarra que não se possa soltar em segundos, nunca sob o efeito do álcool.
As fantasias
Quase toda a gente as tem, e as mais frequentes — nos inquéritos — são as mesmas para homens e mulheres: o sexo num lugar insólito, com vários parceiros, a dominação ou a submissão, com outro parceiro. Uma fantasia não é um desejo de realização: a maioria das pessoas não quer viver o que imagina. Partilhá-las no casal aumenta a satisfação segundo os estudos — desde que não se exija que o outro as realize.
Propor e recusar
Uma prática propõe-se fora da cama, sem pressão, e aceita-se um não sem discussão nem ressentimento. Os casais que funcionam têm uma regra simples: cada um pode propor tudo, cada um pode recusar tudo, e uma recusa não se negocia. Experimentar uma vez para ver é legítimo; sentir-se obrigado a continuar não é. E tudo o que acontece pode parar a qualquer momento, com uma palavra.
A higiene
Lavar-se com água, urinar depois das relações (previne as cistites), não usar sabonetes íntimos nem duches vaginais (alteram a flora), lavar os objetos, mudar de preservativo entre duas práticas: é tudo. A depilação é uma escolha estética, não uma exigência sanitária, e aumenta um pouco as pequenas lesões.
Esta secção é uma secção de saúde sexual: descreve, não ilustra, e não substitui uma consulta. Quando alguma coisa dói, sangra ou preocupa, a resposta é um profissional.
