O corpo
Depois de um parto por via vaginal, o períneo está distendido, às vezes suturado (episiotomia ou laceração), e a vagina precisa de semanas para recuperar o tónus; depois de uma cesariana — mais de metade dos partos no Brasil —, a cicatriz e as dores abdominais duram outro tanto. As perdas de sangue (lóquios) duram de três a seis semanas. A amamentação faz baixar os estrogénios, com uma secura vaginal quase sistemática. A consulta do pós-parto, por volta das seis semanas, verifica a cicatrização e prescreve se necessário a reeducação do períneo, disponível no SNS português com esperas e pouco no SUS brasileiro.
Porque demora
- As hormonas: a prolactina da amamentação e a queda dos estrogénios reduzem o desejo.
- O cansaço: o sono aos pedaços é o primeiro inimigo do desejo, para os dois progenitores.
- O corpo transformado: o peso, o peito que amamenta, a cicatriz, e um olhar sobre si que precisa de tempo.
- A saturação de contacto: uma mãe que carrega, amamenta e consola o dia todo pode já não ter nenhuma vontade de ser tocada à noite.
- A depressão pós-parto: atinge uma mãe em sete e alguns pais, e trata-se.
Os estudos dão de três a seis meses para o regresso de uma sexualidade regular, e muitas vezes um ano para o desejo de antes — com enormes variações, e nenhuma norma.
A dor
Metade das mulheres declara dor na retoma, e uma parte ainda aos seis meses: secura, cicatriz, períneo contraído. O lubrificante é indispensável, a lentidão também, e uma dor que persiste consulta-se — com a enfermeira, o ginecologista, uma fisioterapeuta do períneo. Não é «normal» nem «da cabeça».
A contraceção
A ovulação pode recomeçar a partir da terceira semana sem amamentação, e antes do fim da amenorreia com amamentação: a contraceção decide-se antes da retoma, não depois. A amamentação exclusiva só protege nos primeiros seis meses e em condições estritas; a pílula progestativa, o implante, o DIU (colocado a partir das seis semanas) e o preservativo são compatíveis com a amamentação. A enfermeira ou o médico falam disso na consulta do pós-parto.
O outro progenitor
O parceiro atravessa a sua própria demora: o cansaço, o medo de magoar, o choque de ter visto o parto, a identidade que passa de amante a pai. Alguns desejam antes, outros depois, e o mal-entendido mais frequente é o silêncio — cada um pensa que o outro já não quer. Dizer onde se está, multiplicar a ternura sem objetivo, e aceitar que a sexualidade recomece diferente de antes: é o que os casais que atravessam bem este período têm em comum.
Esta secção é uma secção de saúde sexual: descreve, não ilustra, e não substitui uma consulta. Quando alguma coisa dói, sangra ou preocupa, a resposta é um profissional.
