Violência no casal — Suíça

Afastamento imediato do agressor pela polícia (expulsion / Wegweisung), proteção do juiz civil ao abrigo do artigo 28b do Código Civil, perseguição oficiosa das agressões no casal e ajuda às vítimas (LAVI) gratuita, mesmo sem queixa. Uma autorização de residência que dependia do cônjuge pode ser conservada depois de uma separação causada pela violência.

Illustration : Les violences conjugales
Mapa de localização — Suíça — Violência no casal
Suíça. Mapa de localização de contornos simplificados — dados Natural Earth, domínio público.

O quadro legal

O artigo 28b do Código Civil suíço (CC / ZGB), em vigor desde 2007, permite à vítima de violência, ameaças ou perseguição pedir ao juiz civil que proíba o autor de se aproximar, de frequentar certos lugares e de a contactar, e que o expulse da casa comum por um período determinado, atribuindo a habitação à vítima; desde 2022, o juiz pode também ordenar a vigilância eletrónica (pulseira). As leis cantonais de polícia permitem afastar o autor da casa imediatamente, no local, por um prazo fixado pelo cantão — em regra dez a catorze dias —, que o juiz pode prolongar: é uma decisão da polícia, que a vítima não tem de pedir. Desde 2004, as ofensas corporais simples, as vias de facto reiteradas (voies de fait / Tätlichkeiten), as ameaças e a coação no casal, casado ou não, e até um ano depois da separação são crimes públicos (poursuivis d'office / Offizialdelikte), tal como a violação entre cônjuges; desde 2020, a suspensão do processo a pedido da vítima é excluída se o autor for reincidente e pode ser recusada pela autoridade. A lei federal sobre a ajuda às vítimas de infrações (loi sur l'aide aux victimes, LAVI / Opferhilfegesetz, OHG) garante, através dos centros cantonais, aconselhamento, alojamento de urgência, apoio psicológico e jurídico e, em certos casos, indemnização, gratuitamente e sem obrigação de queixa. A Suíça ratificou a Convenção de Istambul em 2018; em 2023, a polícia registou cerca de 20 000 infrações de violência doméstica e 25 homicídios, na maioria de mulheres.

Os pontos-chave

Afastamento policialImediato, segundo a lei cantonal; em regra dez a catorze dias, prolongável pelo juiz
Artigo 28b do CCProibição de aproximação e de contacto, expulsão da casa e atribuição da habitação à vítima; pulseira eletrónica desde 2022
Crimes públicosDesde 2004: ofensas corporais simples, vias de facto reiteradas, ameaças e coação no casal e até um ano depois da separação; violação entre cônjuges
Suspensão do processoJá não depende só da vítima desde 2020
Ajuda LAVIGratuita e confidencial, sem obrigação de queixa
ResidênciaPortuguesas: direito próprio ao abrigo do ALCP; autorização dependente do cônjuge conservada em caso de violência (artigo 50 da lei federal sobre os estrangeiros e a integração, LEI / AIG)
Em PortugalCrime público; linha 800 202 148, gratuita, 24 horas; APAV 116 006

Na prática

Custos e cobertura

A ajuda LAVI é gratuita, incluindo a primeira consulta de advogado, o alojamento de urgência e a terapia; as prestações têm de ser pedidas, e a indemnização e a reparação moral (Genugtuung) estão sujeitas a um prazo de cinco anos. Os processos do artigo 28b já não dão lugar a custas judiciais, mas podem implicar outras despesas; o advogado é coberto pela ajuda LAVI ou pela assistência judiciária gratuita.

Mudanças recentes

Vários cantões usam desde 2022 a pulseira eletrónica ordenada pelo juiz civil; a aplicação da Convenção de Istambul reforçou os centros de aconselhamento, e a estratégia nacional 2022-2026 previu um número único, o 142. O GREVIO, órgão de controlo da Convenção, pediu em 2022 mais lugares nas casas de acolhimento.

A quem recorrer

Convém saber

O estatuto de residência não deve impedir ninguém de agir: a lei prevê expressamente que uma autorização possa ser mantida depois de uma separação causada pela violência, e as portuguesas que trabalham têm de qualquer modo um direito próprio. Mas o «regresso à terra» com os filhos, sem acordo nem decisão, é um rapto internacional — passe antes pelo centro LAVI e pelo juiz.

Fontes e ligações oficiais

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