O speed dating: sete minutos para se gostar

Inventado em 1998 por um rabino de Los Angeles para casar os solteiros da sua comunidade, o speed dating deu a volta ao mundo: uma noite, dez encontros de sete minutos, uma ficha para marcar. Como funciona, o que a investigação aprendeu com ele, quanto custa, quem o organiza e como tirar o melhor partido.

De onde vem

O speed dating nasceu em 1998 num café de Beverly Hills, por iniciativa do rabino Yaacov Deyo e da organização Aish HaTorah, que procurava uma forma eficaz de juntar os jovens judeus solteiros de Los Angeles. A ideia — fazer rodar os participantes de mesa em mesa em conversas cronometradas — foi registada como marca e copiada em todo o mundo em dois anos; um episódio de O Sexo e a Cidade (2000) e o filme Hitch (2005) tornaram-na familiar. Em Portugal as primeiras sessões datam de 2004-2005, em Lisboa e no Porto; no Brasil chegou na mesma altura a São Paulo e ao Rio.

Como funciona

Uma sessão reúne 7 a 12 homens e outras tantas mulheres da mesma faixa etária (25-35, 35-45, 45-55, mais de 50) num bar reservado. Cada participante recebe um cartão com nome ou número e uma ficha. As mulheres ficam sentadas e os homens mudam de mesa ao sinal, a cada sete minutos (de 4 a 10 conforme o organizador). No fim de cada conversa marca-se discretamente «sim» ou «não»; no dia seguinte o organizador cruza as fichas e passa os contactos quando ambos disseram sim. Não há recusa cara a cara nem número dado sob pressão: é uma das razões do sucesso da fórmula, sobretudo entre as mulheres. A noite dura duas a três horas e continua muitas vezes ao balcão.

Variantes

O que a investigação aprendeu

O speed dating é um laboratório ideal para os psicólogos, porque centenas de pessoas escolhem nas mesmas condições. Eli Finkel e Paul Eastwick (Northwestern, 2008) mostraram que a regra «as mulheres sentadas, os homens rodam» não é inocente: invertida, as mulheres tornam-se tão pouco seletivas como os homens — quem se move mostra-se mais aberto. Raymond Fisman e Sheena Iyengar (Columbia, 2006) mediram que os homens dizem sim o dobro das vezes das mulheres e dão mais peso ao físico e menos à inteligência percebida. Robert Kurzban e Jason Weeden, com 10 000 participantes da HurryDate (2005), concluíram que a escolha se faz por critérios visíveis — idade, altura, silhueta — e em segundos: três minutos chegam, sete não mudam nada. E o que se julga querer («alguém ambicioso», «alguém divertido») prevê mal quem se escolhe realmente cara a cara.

Quanto custa, quem organiza

Conte 15 a 30 € por pessoa em Portugal (muitas vezes com uma bebida), 50 a 120 reais no Brasil, mais nas fórmulas com jantar ou atividade. Em Portugal organizam-no empresas de eventos para solteiros em Lisboa, Porto, Coimbra e Braga, bares por conta própria e grupos de Meetup; no Brasil, os eventos anunciam-se no Meetup, no Sympla, no Instagram e nos próprios bares de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. Verifique antes de pagar: a faixa etária, o equilíbrio anunciado entre homens e mulheres (os bons organizadores devolvem o dinheiro se não for atingido), o local, a política de cancelamento e a existência real do organizador: na internet vendem-se por vezes sessões falsas.

Tirar o melhor partido

Ver também as festas para solteiros, os encontros especiais e como nos conhecemos país a país.

Página verificada em setembro de 2026. As regras e os dados citados podem mudar: em caso de dúvida, confirme-os na fonte oficial indicada.

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