Os ciúmes ordinários
Sentir uma ponta de ciúmes quando o parceiro se ri com outra pessoa não é uma patologia: é a reação de uma vinculação que se sente ameaçada, e desaparece quando a ameaça se revela imaginária. A maioria das pessoas sente-a, a maioria gere-a sem a dizer, e algumas dizem-na com humor — o que é provavelmente a melhor maneira.
Quando se tornam um problema
Os ciúmes tornam-se um problema quando ocupam os pensamentos, quando levam a verificações — telemóvel, horários, perguntas cruzadas —, quando fazem evitar as saídas ou os amigos, quando o outro começa a esconder coisas inocentes para evitar a cena. Neste ponto já não falam do casal: falam da pessoa ciumenta, da sua insegurança, muitas vezes da sua história. E trata-se como tal, sozinho ou com um terapeuta, não pedindo ao outro que restrinja a sua vida.
Falar deles
- Dizer o sentimento, não a acusação: «Senti-me posto de lado» e não «Andaste a namoriscar».
- Pedir uma tranquilização precisa, não uma prova de amor ilimitada.
- Aceitar que o outro tem uma vida, amigos, um passado, e que a ligação não é um exclusivo sobre tudo.
- Da parte de quem os sofre: tranquilizar sem se submeter. Responder a uma pergunta é normal; prestar contas das suas deslocações não é.
Quando os ciúmes são controlo
Controlar o telemóvel, exigir as senhas, proibir amigos, geolocalizar, fazer cenas a cada saída, ameaçar: já não são ciúmes, é controlo — a primeira fase da violência no casal, que se instala quase sempre assim, antes de qualquer gesto. A página sobre a violência no casal descreve o mecanismo, e as fichas de país dizem o que a lei faz dele e a quem recorrer.
