A infidelidade

A infidelidade rompe mais casais do que qualquer outro acontecimento. E no entanto muitos casais sobrevivem-lhe — desde que a tratem como um facto, não como uma sentença.

Os números

Os inquéritos que fazem a pergunta com garantia de anonimato dão resultados estáveis de um país para outro: entre um quinto e um quarto dos homens e entre um décimo e um quinto das mulheres declaram pelo menos uma infidelidade ao longo de uma relação estável, com uma diferença entre os sexos que se reduz a cada geração. Num dado ano, a proporção é muito mais baixa — alguns pontos percentuais. A infidelidade é portanto frequente ao longo de uma vida e rara num dado momento: a maioria dos casais nunca a vive.

Os motivos

A investigação distingue vários, muitas vezes combinados: uma relação em que já não se é visto nem desejado há muito tempo; uma crise pessoal — idade, luto, trabalho — de que a infidelidade é o sintoma; uma ocasião sem premeditação; e, mais raramente, uma escolha de vida que não se teve coragem de anunciar. Saber que motivo está em jogo não desculpa nada, mas decide o que se pode reparar.

Quando se descobre

Reparar, ou não

Os casais que sobrevivem a uma infidelidade têm alguns pontos em comum: quem traiu corta a relação paralela e responde às perguntas sem minimizar; quem foi traído aceita, no fim, não perguntar tudo; e os dois trabalham sobre o que tornou a infidelidade possível, muitas vezes com um terapeuta. Os que não sobrevivem ficam presos no inquérito ou na negação. As duas saídas são legítimas; nenhuma deve decidir-se nas primeiras semanas.

E a lei

O adultério já não é crime em nenhum dos países cobertos por este site — o Brasil descriminalizou-o em 2005, Portugal em 1982. Mas pode ter consequências civis: em alguns países continua a ser um fundamento de divórcio litigioso ou uma violação dos deveres conjugais com efeitos sobre a pensão; noutros, o divórcio é sem culpa e a infidelidade não conta. As fichas de país sobre o divórcio dizem o que vale em Portugal, no Brasil, em Angola, em Moçambique e nos outros países lusófonos.

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