Casamento civil — Moçambique

Casamento civil, religioso ou tradicional com os mesmos efeitos desde que registado, a partir dos 18 anos sem nenhuma exceção desde 2019; monogâmico por lei; união de facto reconhecida após um ano; regime de comunhão de adquiridos por defeito.

Mapa de localização — Moçambique — Casamento civil
Moçambique. Mapa de localização de contornos simplificados — dados Natural Earth, domínio público.

O quadro legal

A Lei da Família (Lei 10/2004, revista pela Lei 22/2019) reconhece três formas de casamento com efeitos iguais — civil, religioso e tradicional —, desde que sejam monogâmicos e transcritos no registo civil. A idade mínima é de 18 anos para os dois sexos, sem nenhuma exceção desde a Lei 19/2019 de prevenção e combate às uniões prematuras, que revogou a antiga autorização aos 16 anos e pune quem casa ou faz casar um menor. A união de facto entre um homem e uma mulher com mais de um ano de vida em comum produz efeitos patrimoniais e sucessórios. O casamento entre pessoas do mesmo sexo não é reconhecido, embora a homossexualidade não seja crime desde o Código Penal de 2014.

Os pontos-chave

Idade18 anos, sem exceção (Lei 19/2019); as uniões com menores são crime
FormasCivil, religioso ou tradicional, todos monogâmicos e com efeitos iguais depois do registo
ProcessoDeclaração na Conservatória do Registo Civil, publicação de éditos, celebração pelo conservador ou transcrição do casamento religioso ou tradicional
União de factoApós um ano de vida em comum: efeitos patrimoniais e sucessórios entre os dois
Regime de bensComunhão de adquiridos por defeito; comunhão geral ou separação por escolha
PoligamiaSem efeitos civis; frequente de facto em várias províncias
Casais do mesmo sexoSem reconhecimento

Na prática

Custos e cobertura

Os emolumentos do registo civil são baixos — algumas centenas de meticais —, e as campanhas de registo são gratuitas; o lobolo (dote tradicional) do sul do país pode, pelo contrário, representar vários meses de rendimento, e não tem efeitos jurídicos.

Mudanças recentes

A Lei 19/2019 fixou a idade do casamento em 18 anos sem exceção e criou crimes específicos para as uniões prematuras; a Lei 22/2019 reviu a Lei da Família em conformidade e a Lei das Sucessões de 2019 substituiu o Código Civil colonial na herança; Moçambique tem uma das taxas de casamento infantil mais altas do mundo — quase metade das raparigas antes dos 18 anos —, o que a nova lei tenta reduzir.

A quem recorrer

Convém saber

Um segundo casamento tradicional, quando o primeiro está registado, é bigamia e não produz efeitos: a segunda mulher e os seus filhos só têm os direitos que a lei dá aos filhos — a filiação e a herança dos filhos — e não os de cônjuge. E um casamento tradicional nunca transcrito não protege a viúva na herança perante a família do marido.

Fontes e ligações oficiais

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