Guarda dos filhos — Brasil

A guarda compartilhada é a regra desde 2014, mesmo sem acordo entre os pais, salvo se um deles renunciar ou for inapto — e excluída em caso de risco de violência doméstica desde 2023 —, com residência de referência junto de um dos pais e convivência equilibrada com o outro; pensão alimentícia em percentagem dos rendimentos, com prisão civil do devedor; a alienação parental é objeto de uma lei específica desde 2010.

Mapa de localização — Brasil — Guarda dos filhos
Brasil. Mapa de localização de contornos simplificados — dados Natural Earth, domínio público.

O quadro legal

O Código Civil (artigos 1583 a 1590, alterados pela Lei 13.058/2014) faz da guarda compartilhada a regra: os dois pais exercem em conjunto a autoridade e as decisões sobre a criança, com uma residência de referência e um tempo de convivência «equilibrado», mesmo sem acordo, salvo se um dos pais declarar não querer a guarda ou se o juiz o considerar inapto; a Lei 14.713/2023 exclui a guarda compartilhada quando há risco de violência doméstica. A guarda unilateral é a exceção. A pensão alimentícia é fixada em percentagem dos rendimentos ou em valor fixo, segundo as necessidades e os meios; o atraso de três prestações autoriza a prisão civil de um a três meses, a penhora e a inscrição nos registos de devedores. A Lei 12.318/2010 sobre a alienação parental permite ao juiz sancionar o progenitor que afasta a criança do outro, e a Lei 14.340/2022 limitou os seus abusos. O Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) protege a criança em todas as situações, os avós têm direito de visita (Lei 12.398/2011), e a mediação é obrigatória antes do litígio no Código de Processo Civil de 2015.

Os pontos-chave

RegraGuarda compartilhada, mesmo sem acordo, com residência de referência e convivência equilibrada
ExceçõesRenúncia de um dos pais, inaptidão, risco de violência doméstica (2023)
PensãoPercentagem dos rendimentos ou valor fixo; prisão civil após três meses de atraso; desconto em folha
Alienação parentalLei 12.318/2010: advertência, alargamento da convivência, multa, inversão da guarda; limitada em 2022
Audição da criançaSegundo a idade e a maturidade; equipa técnica do tribunal
MediaçãoAudiência de conciliação ou mediação obrigatória no processo (CPC 2015)
AvósDireito de visita reconhecido por lei

Na prática

Custos e cobertura

O processo no juizado de família custa custas e honorários, gratuitos com a justiça gratuita e a Defensoria Pública; a mediação nos CEJUSC é gratuita; a escritura no cartório custa algumas centenas de reais.

Mudanças recentes

A Lei 14.713/2023 excluiu a guarda compartilhada em caso de risco de violência doméstica; a Lei 14.340/2022 limitou a lei sobre a alienação parental; o Conselho Nacional de Justiça (2024) alargou o divórcio no cartório aos casais com filhos cujas questões já foram decididas; o Supremo confirmou a prisão civil do devedor de alimentos em regime fechado após a pandemia.

A quem recorrer

Convém saber

A guarda compartilhada brasileira não é a residência alternada: a criança vive em regra com um dos pais, e a partilha diz respeito às decisões e à convivência. E a lei sobre a alienação parental, única no mundo lusófono, pode virar-se contra o progenitor que denuncia uma violência sem prova: as queixas fazem-se com documentos, e perante o juiz, não pela interrupção das visitas.

Fontes e ligações oficiais

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