O quadro legal
O Código Civil timorense (Lei 10/2011) reconhece a união de facto — a vida em comum em condições análogas às dos cônjuges, entre um homem e uma mulher, durante mais de dois anos — com efeitos limitados: presunção de compropriedade dos bens adquiridos em comum, proteção da casa e direito a alimentos; o companheiro sobrevivo não é herdeiro legal, e só recebe o que um testamento lhe deixar. O casamento tradicional monogâmico (barlaque), transcrito no registo civil, produz em contrapartida todos os efeitos do casamento, o que dá aos casais rurais uma via de proteção sem passar pelo casamento civil ou católico. Os casais do mesmo sexo não são reconhecidos. A Lei contra a violência doméstica de 2010 aplica-se a todas as formas de vida em comum.
Os pontos-chave
| Condição | Mais de dois anos de vida em comum entre um homem e uma mulher com capacidade para casar |
|---|---|
| Registo | Nenhum; prova por qualquer meio |
| Efeitos | Presunção de compropriedade dos bens comuns, proteção da casa, alimentos |
| Herança | Nenhuma sem testamento |
| Casamento tradicional | Reconhecido com todos os efeitos se for monogâmico e transcrito |
| Filhos | Iguais aos filhos de casados |
| Casais do mesmo sexo | Sem reconhecimento |
Na prática
- Os casais que celebraram o barlaque têm interesse em transcrevê-lo na conservatória ou no posto de registo do município: a transcrição transforma-o em casamento com todos os efeitos, incluindo a herança.
- Sem casamento, um testamento — perante o notário ou, na sua falta, o tribunal — é o único meio de deixar bens ao companheiro; a terra, muitas vezes detida coletivamente pelas famílias, segue além disso o costume.
- Na rutura, os bens adquiridos em comum partilham-se por acordo, pelo chefe de suco ou pelo tribunal; o dote pago pela família do homem é, segundo o costume, muitas vezes reclamado de volta.
- Os filhos devem ser registados com o nome dos dois pais: o registo de nascimento, gratuito, garante os seus direitos.
Custos e cobertura
A transcrição do casamento tradicional e o registo de nascimento são gratuitos ou custam alguns dólares; um testamento exige um notário, presente sobretudo em Díli.
Mudanças recentes
O Código Civil de 2011 substituiu o direito indonésio, que não conhecia a união de facto; a Concordata de 2015 deu efeitos civis ao casamento católico; o registo civil foi estendido aos municípios e as campanhas de registo tardio multiplicaram-se.
A quem recorrer
- Conservatória do Registo Civil de Díli e postos de registo dos municípios.
- Defensoria Pública para a assistência jurídica gratuita.
- Chefes de suco e conselhos de anciãos para a conciliação tradicional, com recurso ao tribunal.
Convém saber
A união de facto timorense não faz herdeiro: uma mulher que viveu vinte anos com um homem sem casamento transcrito nem testamento não herda nada dele, e a terra volta à sua família. A transcrição do barlaque, quando houve um, resolve o problema; caso contrário, o testamento.
Fontes e ligações oficiais
- Jornal da República — Código Civil (Lei 10/2011) — Ministério da Justiça
- Governo de Timor-Leste — portal oficial
- Defensoria Pública de Timor-Leste — assistência jurídica
Ligações verificadas para fontes oficiais ou de referência. Abrem num novo separador.
