União de facto e vida em comum — Angola

A união de facto entre um homem e uma mulher com mais de três anos de vida em comum é reconhecida — por mútuo acordo na conservatória ou judicialmente — com os mesmos efeitos do casamento, incluindo o regime de bens e a herança; é a forma de vida em comum mais frequente em Angola; nenhum reconhecimento dos casais do mesmo sexo.

Mapa de localização — Angola — União de facto e vida em comum
Angola. Mapa de localização de contornos simplificados — dados Natural Earth, domínio público.

O quadro legal

O Código da Família (Lei 1/88, artigos 112 a 126) regula a união de facto: a coabitação singular e estável entre um homem e uma mulher com capacidade para casar, durante mais de três anos consecutivos, pode ser reconhecida por mútuo acordo — por declaração dos dois na Conservatória do Registo Civil — ou, na falta de acordo ou depois da morte de um deles, por decisão judicial. Reconhecida, produz todos os efeitos do casamento a partir do início da coabitação: regime de bens (comunhão de adquiridos), deveres recíprocos, direitos sucessórios, pensão. Sem reconhecimento, a união não produz efeitos, salvo para os filhos, que têm os mesmos direitos qualquer que seja a situação dos pais. Os casais do mesmo sexo não podem ser reconhecidos.

Os pontos-chave

CondiçãoTrês anos de coabitação singular e estável entre um homem e uma mulher com capacidade para casar
Reconhecimento por acordoDeclaração dos dois na Conservatória do Registo Civil, com testemunhas
Reconhecimento judicialAção no tribunal, por um dos dois ou pelos herdeiros, incluindo após a morte
EfeitosOs do casamento, a partir do início da coabitação: comunhão de adquiridos, herança, pensão
FilhosIguais em tudo aos filhos de casados, com ou sem reconhecimento da união
Casais do mesmo sexoSem reconhecimento
RealidadeA maioria dos casais angolanos vive em união de facto, muitas vezes precedida do alambamento tradicional

Na prática

Custos e cobertura

A declaração na conservatória custa alguns milhares de kwanzas; a ação judicial exige em geral advogado, com honorários variáveis, e a Ordem dos Advogados e as organizações de apoio jurídico ajudam as mulheres sem recursos.

Mudanças recentes

O novo Código da Família em preparação mantém o reconhecimento da união de facto e discute a redução do prazo de três anos; os casamentos coletivos organizados pelo Governo transformam regularmente uniões de facto em casamentos registados; o Código Penal de 2020 não alterou a exclusão dos casais do mesmo sexo.

A quem recorrer

Convém saber

Sem reconhecimento, a união de facto não existe para a lei, por mais longa que seja: uma mulher que viveu vinte anos com um homem sem declaração na conservatória tem de provar tudo em tribunal, à morte dele, contra a família que reclama a casa. A declaração por mútuo acordo, feita em vida, evita tudo isto.

Fontes e ligações oficiais

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