O que dizem os estudos
Ao contrário da ideia difundida, os casais à distância não são menos estáveis do que os outros em igualdade de duração, e declaram muitas vezes uma comunicação mais profunda: como não se pode contar com a presença, fala-se. O risco concentra-se em dois momentos: os primeiros meses, quando o casal ainda não tem hábitos, e a reunião, quando o dia a dia substitui as visitas idealizadas. Um terço dos casais que se reúnem separa-se nos três meses seguintes — não por causa da distância, mas pela descoberta do quotidiano. O mundo lusófono conhece bem esta situação: a emigração portuguesa, cabo-verdiana ou brasileira separou gerações de casais durante anos.
Organizar a comunicação
- Um ritmo, não uma disponibilidade permanente: uma chamada diária a uma hora fixa vale mais do que cem mensagens ao longo do dia, que acabam por pesar.
- Conteúdo: contar o dia, os colegas, o que se leu — o que os casais que vivem juntos partilham sem pensar.
- Vida paralela: ver a mesma série, ler o mesmo livro, cozinhar a mesma receita no mesmo dia.
- Silêncio aceite: uma noite sem chamada não é um sinal.
As visitas
Alternar quem se desloca, e prever as visitas com grande antecedência: a próxima data deve estar sempre fixada antes de se separarem. As visitas não são férias — incluir o dia a dia, o trabalho, os amigos do outro prepara a reunião melhor do que um fim de semana perfeito.
A data de reunião
É a variável que melhor prevê a sobrevivência do casal: quem tem uma data — mesmo longínqua, mesmo aproximada — aguenta; quem não a tem desgasta-se. A data impõe uma decisão que os casais à distância adiam de bom grado: quem se muda, para onde, para fazer o quê. E para os casais internacionais, esta decisão tem um nome administrativo — visto, reagrupamento, casamento — tratado na página sobre os encontros internacionais.
