O que mostra a investigação, sem exageros
A literatura sobre os efeitos dos animais de estimação é abundante e por vezes demasiado entusiasta. O que dela ressalta de forma sólida é mais modesto e mais útil:
- O efeito sobre a solidão é real, mas indireto. Não é a presença do animal que mais conta, é o que ela produz: uma rotina, saídas, interações com outros humanos. Os donos de cães caminham nitidamente mais e falam com mais desconhecidos.
- O contacto físico conta. Acariciar um animal baixa o ritmo cardíaco e o nível de stress sentido, o que foi medido inúmeras vezes. O efeito é de curta duração, mas repete-se várias vezes por dia.
- Na criança, os benefícios incidem na responsabilidade e na regulação emocional, desde que a carga seja realmente partilhada e adaptada à idade.
- O que a investigação não mostra é que um animal cure uma depressão ou substitua um laço humano. Um animal adotado num momento de grande aflição, sem capacidade para cuidar dele, agrava muitas vezes a situação dos dois lados.
Que animal para que vida
| Vive sozinho e trabalha fora de casa | Um gato, dois gatos, ou animais autónomos. Um cão deixado oito horas por dia é um cão infeliz, e o latido na sua ausência é o primeiro motivo de conflito de vizinhança. |
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| Está em casa e quer sair mais | Um cão, desde que escolha o tamanho e a energia segundo as suas capacidades reais, não segundo a imagem. Um cão pastor num apartamento sem corrida diária é uma fonte de problemas. |
| Tem filhos pequenos | Espere que o mais novo tenha idade para perceber que um animal não é um peluche, em geral por volta dos cinco ou seis anos. As mordeduras de cão em crianças acontecem quase sempre em casa, com o cão da família. |
| Viaja com frequência | Resolva quem fica com o animal antes de adotar, não depois. É a primeira causa de abandono, à frente do custo. |
| É uma pessoa idosa | Um animal mais velho, já educado, cuja esperança de vida seja compatível com a sua, e uma solução prevista por escrito caso ele lhe sobreviva. |
O custo real
O preço de aquisição é a menor parte da despesa. Ao longo da vida de um cão de tamanho médio, a alimentação, as vacinas, o antiparasitário, a esterilização, a identificação, os cuidados imprevistos e a guarda durante as ausências representam um orçamento contínuo de vários milhares de euros. Duas rubricas são sistematicamente subestimadas: a guarda durante as férias e uma intervenção cirúrgica imprevista, que facilmente se conta em centenas, ou mesmo milhares, de euros. Um seguro de saúde animal merece por isso ser ponderado, lendo com muita atenção as exclusões.
A resolver a dois, antes
- Quem passeia o animal, e a que horas, nos dias de semana?
- Quem paga o quê, e o que acontece em caso de separação? Em vários países, o animal já não é um simples bem móvel e o juiz pode ter em conta o seu interesse — em Portugal, desde 2017, o Código Civil manda decidir a quem fica o animal no divórcio tendo em conta também o seu bem-estar —; noutros, continua a ser atribuído como um objeto.
- O animal dorme no quarto? A pergunta parece trivial e provoca meses de tensão.
- O que se faz se ele adoecer e os tratamentos custarem muito caro?
- Quem cuida dele se um dos dois já não puder?
Adotar em vez de comprar
Os abrigos estão cheios de animais adultos, já identificados, vacinados, esterilizados, e cujo carácter é conhecido — o que é uma vantagem considerável em relação a um cachorrinho de que nada se sabe. As associações fazem em geral um trabalho sério de emparelhamento entre o animal e o lar, e recusar uma adoção faz parte desse trabalho. Inversamente, a compra em linha a um particular sem visita ao local de criação alimenta um tráfico documentado, com animais separados demasiado cedo da mãe e muitas vezes doentes.
Se adota para quebrar o isolamento
É uma boa razão, com uma condição: que esteja em condições de cuidar dele também nos dias maus. Se não é o caso neste momento, começar por passear o cão de um vizinho, tornar-se família de acolhimento temporária ou voluntário num abrigo dá os mesmos benefícios sem o compromisso de quinze anos.
