O quadro legal
O Código Penal de Macau (Decreto-Lei 58/95/M, artigos 136.º a 139.º) pune o aborto provocado com prisão até três anos para a mulher e até três anos (mais em caso de morte) para quem o pratica, e não o pune quando é praticado por médico em estabelecimento de saúde, com o consentimento da mulher, nos casos seguintes: quando é o único meio de afastar um perigo de morte ou de lesão grave e irreversível para o corpo ou a saúde física ou psíquica da mulher (sem limite de tempo); quando há fortes razões para prever que o feto sofrerá de doença grave ou malformação incurável (até às 24 semanas); e quando a gravidez resulta de violação (até às 24 semanas, com queixa ou indícios sérios). Não há aborto a pedido. O Hospital Conde de São Januário (público) e os hospitais privados (Kiang Wu, Universitário) praticam os abortos permitidos; as residentes que não preenchem as condições vão a Zhuhai ou Guangzhou, onde o aborto é legal e corrente, ou a Hong Kong (legal até às 24 semanas por motivos de saúde interpretados de forma ampla). Os abortos declarados em Macau são poucas centenas por ano.
Os pontos-chave
| Regra | Crime: até três anos para a mulher e para quem pratica |
|---|---|
| Perigo para a vida ou a saúde | Permitido sem limite de tempo, por médico |
| Malformação grave do feto | Até às 24 semanas |
| Violação | Até às 24 semanas, com queixa ou indícios sérios |
| A pedido | Não previsto |
| Serviços | Hospital Conde de São Januário; hospitais privados |
| Alternativas | Continente (legal e corrente), Hong Kong (24 semanas, saúde) |
Na prática
- Uma mulher que preenche uma das condições dirige-se ao Hospital Conde de São Januário ou a um hospital privado; o parecer médico (dois médicos em regra) é necessário, e o ato é praticado em algumas semanas.
- Em caso de violação, a queixa na Polícia Judiciária facilita o procedimento; o Instituto de Ação Social acompanha.
- As residentes fora das condições legais vão em geral ao Continente — hospitais de Zhuhai, a alguns minutos, onde o aborto é legal e barato — ou a Hong Kong, onde os hospitais e a Family Planning Association o praticam até às 24 semanas por motivos de saúde, incluindo mental, com dois médicos.
- Os cuidados pós-aborto são prestados nos hospitais de Macau sem denúncia; a contraceção é acessível nos centros de saúde e na Associação de Planeamento Familiar de Macau.
Custos e cobertura
Os abortos permitidos são gratuitos ou quase para as residentes no hospital público; alguns milhares de patacas nos hospitais privados; algumas centenas a alguns milhares de yuans no Continente; 3 000 a 10 000 dólares de Hong Kong em Hong Kong.
Mudanças recentes
O Código Penal não foi alterado neste ponto desde 1995; nenhuma proposta de aborto a pedido foi apresentada; a proximidade do Continente, onde o aborto é legal a pedido, faz de Macau um caso singular de lei restritiva com acesso fácil.
A quem recorrer
- Serviços de Saúde de Macau — Hospital Conde de São Januário.
- Associação de Planeamento Familiar de Macau: contraceção, informação.
- Family Planning Association of Hong Kong para os abortos em Hong Kong.
Convém saber
Macau não tem aborto a pedido, mas Zhuhai fica a dez minutos e o aborto é aí legal e corrente: a maioria das residentes fora das condições vai ao Continente, o que a lei de Macau não pune (o crime só se aplica aos abortos praticados em Macau). Quem prefere ficar em Macau só tem os três motivos legais, com pareceres médicos.
Fontes e ligações oficiais
- Código Penal de Macau — artigos 136.º a 139.º — Imprensa Oficial
- Serviços de Saúde de Macau — hospital público
- Associação de Planeamento Familiar de Macau — contraceção, informação
Ligações verificadas para fontes oficiais ou de referência. Abrem num novo separador.
