Regime de bens — Timor-Leste

Comunhão de adquiridos por defeito, segundo o Código Civil de 2011 — comuns os bens adquiridos durante o casamento, próprios os anteriores e os herdados —, com escolha da comunhão geral ou da separação por convenção antenupcial; mas a maioria das terras e das casas rurais segue o costume e a Lei de Terras de 2017, e a mulher é raramente titular.

Mapa de localização — Timor-Leste — Regime de bens
Timor-Leste. Mapa de localização de contornos simplificados — dados Natural Earth, domínio público.

O quadro legal

O Código Civil timorense (Lei 10/2011) reproduz o sistema português: comunhão de adquiridos na falta de convenção, comunhão geral ou separação por convenção antenupcial imutável, administração igual entre os cônjuges, alienação de imóveis e da casa de morada de família só com o consentimento dos dois. O regime aplica-se aos casamentos civis, católicos com efeitos civis e tradicionais transcritos. Mas a maioria dos bens rurais — terras, casas, gado — é detida segundo o costume, pelas linhagens, e a Lei de Terras de 2017 reconhece os direitos comunitários; nas sociedades patrilineares, a mulher sai da sua família com o barlaque e não herda a terra, e nas matrilineares o marido não a herda. A união de facto dá uma presunção de compropriedade dos bens comuns.

Os pontos-chave

Regime por defeitoComunhão de adquiridos
Outros regimesComunhão geral; separação de bens; convenção antenupcial antes do casamento
AdministraçãoIgual entre os cônjuges; imóveis e casa só com o consentimento dos dois
Casamento tradicional transcritoMesmo regime
TerraLei de Terras de 2017: direitos comunitários e costumeiros reconhecidos; mulher raramente titular
União de factoPresunção de compropriedade dos bens comuns
BarlaqueSem efeitos sobre o regime, mas condiciona na prática a partilha costumeira

Na prática

Custos e cobertura

A convenção antenupcial custa algumas dezenas de dólares no notário; o registo cadastral é gratuito ou quase; a assistência da Defensoria Pública é gratuita.

Mudanças recentes

A Lei de Terras de 2017 e o cadastro nacional em curso desde 2019 regularizam progressivamente os títulos; o Código Civil de 2011 não foi alterado neste ponto; as organizações de mulheres promovem a titulação conjunta.

A quem recorrer

Convém saber

O Código Civil dá à mulher metade dos bens comuns, mas o costume dá a terra à linhagem: uma mulher separada volta muitas vezes para a sua família sem nada, e a devolução do barlaque é reclamada. Os títulos em nome dos dois e o recurso ao tribunal, com a Defensoria, são o que permite aplicar a lei.

Fontes e ligações oficiais

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