O quadro legal
O Código Civil de 1966 define o casamento como união entre um homem e uma mulher, e a lei guineense não conhece nenhum estatuto para os casais do mesmo sexo nem para a união de facto em geral. O Código Penal de 1993 não contém nenhuma disposição contra a homossexualidade, o que faz da Guiné-Bissau um dos países africanos onde ela é legal, mas nenhuma lei proíbe a discriminação por orientação sexual, e a Constituição não a menciona. A Guiné-Bissau assinou em 2008 a declaração da ONU sobre os direitos humanos e a orientação sexual. Não existe associação LGBTI registada; algumas organizações de saúde trabalham com os homens que têm relações com homens no quadro da prevenção do VIH.
Os pontos-chave
| Casamento e união | Reservados aos casais de sexo diferente; nenhum estatuto para os casais do mesmo sexo |
|---|---|
| Relações homossexuais | Legais (Código Penal de 1993); nunca perseguidas |
| Discriminação | Nenhuma proteção legal |
| Adoção | Individual em teoria; conjunta impossível |
| Identidade de género | Nenhuma lei |
| Casamentos estrangeiros | Não reconhecidos |
| Posição internacional | Signatária da declaração ONU de 2008 sobre a orientação sexual |
Na prática
- Um casal do mesmo sexo casado em Portugal, França ou Senegal (onde a homossexualidade é crime) que vive na Guiné-Bissau não tem nenhum reconhecimento: testamento e procurações são os únicos instrumentos.
- Não há recurso legal específico contra uma discriminação; as violências denunciam-se à polícia como qualquer agressão, com um acompanhamento raro.
- Os programas de saúde sexual do Secretariado Nacional de Luta contra a SIDA e das ONG são o principal ponto de contacto para os homens que têm relações com homens.
- A discrição é a regra em todo o país, incluindo em Bissau; a família e a religião — islão e cristianismo — pesam muito.
Custos e cobertura
Um testamento exige um notário, raro fora de Bissau; nenhum serviço específico existe para os casais do mesmo sexo.
Mudanças recentes
Nenhuma evolução legislativa desde 1993; a Guiné-Bissau votou a favor de várias resoluções da ONU sobre a orientação sexual; a instabilidade política deixa o direito da família inalterado.
A quem recorrer
- Secretariado Nacional de Luta contra a SIDA e ONG de saúde para o apoio.
- Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) para as violações de direitos.
- Embaixadas de Portugal e da União Europeia em Bissau para os casais binacionais.
Convém saber
Legal não significa seguro: a Guiné-Bissau não pune a homossexualidade, mas não protege ninguém contra a discriminação ou a violência, e a pressão familiar e religiosa é forte. Os casais do mesmo sexo vivem com discrição e organizam os seus bens por documentos privados.
Fontes e ligações oficiais
- ILGA World — Guiné-Bissau — legislação comentada
- Liga Guineense dos Direitos Humanos — direitos humanos
- Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos — Guiné-Bissau — relatórios
Ligações verificadas para fontes oficiais ou de referência. Abrem num novo separador.
