Drogas e estupefacientes — Moçambique

O consumo e a posse de drogas são crime em Moçambique (Lei 3/97), com prisão até um ano ou tratamento, e o tráfico é punido com doze a dezasseis anos; o país é uma das principais rotas da heroína afegã para a Europa — a «costa da heroína» — e o consumo de heroína injetada progride nas cidades, com um programa de metadona desde 2023; a cannabis («suruma») é a droga dominante; o álcool é a primeira dependência.

Mapa de localização — Moçambique — Drogas e estupefacientes
Moçambique. Mapa de localização de contornos simplificados — dados Natural Earth, domínio público.

O quadro legal

A Lei 3/97 sobre o tráfico e consumo de drogas pune o consumo e a posse para uso pessoal com prisão até um ano ou multa, substituível por tratamento, e o tráfico com prisão de doze a dezasseis anos (vinte para as redes), e o Código Penal de 2014 manteve o regime. Moçambique é desde os anos 1990 uma das principais rotas da heroína afegã para a Europa e a África do Sul — a «costa da heroína» —, com uma parte do produto consumida no local: a heroína injetada progride em Maputo, na Beira e em Nampula, com uma prevalência de VIH elevada entre os utilizadores, e o programa de metadona, lançado em 2023 no Hospital Psiquiátrico de Infulene, é o primeiro do país; a cocaína em trânsito do Brasil progride também. A cannabis («suruma»), cultivada em todo o país, é a droga mais consumida. O tratamento público limita-se aos hospitais psiquiátricos de Infulene (Maputo) e de Nampula e a alguns serviços de saúde mental; as organizações (UNIDOS, Médicos Sem Fronteiras) desenvolvem a redução de riscos com trocas de seringas. O álcool — cerveja, bebidas tradicionais — é a primeira dependência, vendido a partir dos 18 anos com uma aplicação fraca, e a alcoolemia ao volante limitada a 0,6 g/l; o tabaco é regulado.

Os pontos-chave

Consumo e posseCrime: até um ano de prisão ou multa; tratamento em substituição (Lei 3/97)
TráficoDoze a dezasseis anos; vinte para as redes
DrogasCannabis (suruma) dominante; heroína injetada em progressão nas cidades; cocaína em trânsito
TratamentoHospitais psiquiátricos de Infulene e Nampula; metadona desde 2023; redução de riscos pelas ONG
ÁlcoolPrimeira dependência; 18 anos; 0,6 g/l ao volante
TabacoRegulado; proibido nos espaços fechados públicos
Cannabis medicinalNão autorizada; cultivo de cânhamo industrial autorizado a título experimental

Na prática

Custos e cobertura

O tratamento nos hospitais públicos é gratuito, incluindo a metadona; as multas por consumo são de alguns milhares de meticais; o IPAJ é gratuito.

Mudanças recentes

O programa de metadona começou em 2023 em Infulene com o apoio do PEPFAR; o Governo autorizou em 2022-2023 o cultivo experimental de cânhamo; as apreensões de heroína e de cocaína aumentam; a revisão da Lei 3/97, discutida, não foi adotada.

A quem recorrer

Convém saber

Moçambique é uma rota da heroína e paga-o em consumidores: a injeção progride nas cidades, com o VIH e a hepatite C, e o único programa de metadona do país abriu em 2023 em Maputo. As trocas de seringas de UNIDOS e de MSF são legais e salvam vidas — e consumir continua a ser um crime que a polícia usa contra os jovens dos bairros.

Fontes e ligações oficiais

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