Drogas e estupefacientes — Guiné-Bissau

O consumo e a posse de drogas são crime na Guiné-Bissau, e o tráfico é punido com penas pesadas, mas o país é desde os anos 2000 a principal placa giratória da cocaína sul-americana na África Ocidental — um «narco-Estado» segundo a ONU —, com uma justiça fraca e um consumo local de cannabis e, cada vez mais, de cocaína e de crack; nenhum tratamento público; o álcool é a primeira dependência.

Mapa de localização — Guiné-Bissau — Drogas e estupefacientes
Guiné-Bissau. Mapa de localização de contornos simplificados — dados Natural Earth, domínio público.

O quadro legal

A lei guineense sobre os estupefacientes (Decreto-Lei 2-B/93 e Código Penal de 1993) pune o consumo e a posse para uso pessoal com prisão ou multa, e o tráfico com prisão de vários anos, até vinte para as redes. Mas a Guiné-Bissau é desde 2005 a principal placa giratória da cocaína sul-americana na África Ocidental, qualificada de «narco-Estado» pela ONU: os cartéis usam as ilhas Bijagós e os aeródromos, com a cumplicidade de uma parte das forças armadas e da classe política, e as apreensões — várias toneladas em 2019 — alternam com as libertações inexplicadas; a Polícia Judiciária, apoiada pela ONU e pela União Europeia, é o único órgão relativamente eficaz. O consumo local — cannabis cultivada no país, cocaína e crack pagos em natureza aos intermediários — progride em Bissau, sem nenhum tratamento público: o Hospital Nacional Simão Mendes tem um serviço de psiquiatria mínimo, e as igrejas e as famílias são os únicos recursos. O álcool — vinho de palma, cana, cerveja — é a primeira dependência, sem regulação efetiva da venda aos menores. O tabaco é pouco regulado.

Os pontos-chave

Consumo e posseCrime: prisão ou multa (Decreto-Lei 2-B/93)
TráficoPrisão de vários anos, até vinte; aplicação muito fraca
SituaçãoPrincipal placa giratória da cocaína na África Ocidental; «narco-Estado» (ONU)
DrogasCannabis dominante; cocaína e crack em progressão em Bissau
TratamentoNenhum serviço específico; psiquiatria mínima no Hospital Nacional
ÁlcoolPrimeira dependência; regulação não aplicada
Cannabis medicinalNão autorizada

Na prática

Custos e cobertura

Os cuidados no Hospital Nacional são gratuitos ou quase; nenhum tratamento especializado existe; a evacuação para o estrangeiro custa milhares de euros.

Mudanças recentes

As apreensões de 2019 (quase duas toneladas) e as condenações que se seguiram foram anuladas ou esvaziadas; a instabilidade política crónica — golpes e tentativas de golpe repetidos, o último em 2025 — reforça a influência dos traficantes segundo a ONU; a Polícia Judiciária continua apoiada pela UNODC.

A quem recorrer

Convém saber

Na Guiné-Bissau, a lei pune o consumidor e ignora os traficantes: o país é a porta de entrada da cocaína em África, e não tem um só centro de tratamento. Uma família confrontada com a dependência de um jovem só encontra o hospital psiquiátrico ou uma igreja — e os que podem pagar partem para Dakar ou Lisboa.

Fontes e ligações oficiais

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