Aborto — Moçambique

Aborto a pedido até às 12 semanas de gravidez, gratuito nas unidades de saúde públicas, desde o Código Penal de 2014 (em vigor em 2015) e o seu regulamento de 2017; permitido até às 16 semanas em caso de violação ou incesto, até às 24 por malformação grave, e sem limite por perigo de vida; Moçambique é um dos países africanos mais abertos, mas a oferta continua limitada fora das cidades e os abortos inseguros persistem.

Illustration : L'avortement
Mapa de localização — Moçambique — Aborto
Moçambique. Mapa de localização de contornos simplificados — dados Natural Earth, domínio público.

O quadro legal

O Código Penal de 2014 (Lei 35/2014, em vigor desde junho de 2015, mantido pelo código revisto de 2019) despenalizou o aborto a pedido da mulher nas primeiras 12 semanas de gravidez, praticado em unidade de saúde por profissional habilitado; permite-o até às 16 semanas quando a gravidez resulta de violação ou de incesto, até às 24 semanas em caso de malformação grave do feto, e sem limite quando a vida ou a saúde da mulher está em perigo. O Diploma Ministerial 60/2017 regulamentou os serviços: aborto medicamentoso (misoprostol, com mifepristona onde está disponível) e por aspiração nas unidades de saúde públicas, gratuito, com aconselhamento e contraceção pós-aborto; as menores podem ser acompanhadas por um adulto de confiança. A oferta é real em Maputo, na Beira, em Nampula e nas capitais provinciais, e limitada nos distritos rurais, onde a informação, os profissionais formados e o misoprostol faltam; os abortos inseguros continuam a causar uma parte importante das mortes maternas. Moçambique junta-se assim a Cabo Verde, à África do Sul e à Tunísia entre os países africanos que permitem o aborto a pedido.

Os pontos-chave

A pedidoAté às 12 semanas de gravidez, em unidade de saúde
Violação ou incestoAté às 16 semanas
Malformação grave do fetoAté às 24 semanas
Perigo para a vida ou a saúdeSem limite
ServiçosUnidades de saúde públicas; medicamentoso ou aspiração; gratuito
MenoresAcompanhamento por um adulto de confiança
RealidadeOferta concentrada nas cidades; abortos inseguros persistentes nos distritos

Na prática

Custos e cobertura

Gratuito nas unidades de saúde públicas, aconselhamento e contraceção incluídos; algumas clínicas privadas de Maputo cobram alguns milhares de meticais.

Mudanças recentes

O Código Penal revisto em 2019 (Lei 24/2019) manteve a despenalização; o Ministério da Saúde alargou a formação dos profissionais e a disponibilidade do misoprostol; a mifepristona foi registada; a taxa de abortos inseguros baixa lentamente, sobretudo nas cidades.

A quem recorrer

Convém saber

A lei moçambicana está entre as mais abertas de África, mas a oferta não a acompanha: fora das cidades, muitas mulheres ignoram o seu direito ou não encontram profissional formado, e continuam a abortar de forma perigosa. Perguntar no centro de saúde, ou à AMODEFA, é o primeiro passo — e os cuidados pós-aborto são gratuitos em todo o lado.

Fontes e ligações oficiais

Ligações verificadas para fontes oficiais ou de referência. Abrem num novo separador.

← Todos os países O artigo geral sobre este tema →

Todas as fichas deste país →

Página verificada em setembro de 2026. As regras e os dados citados podem mudar: em caso de dúvida, confirme-os na fonte oficial indicada.

Situar esta página no mapa do site

Uma pergunta, uma correção, uma sugestão? Escreva-nos.