Aborto — Guiné-Bissau

O aborto é crime na Guiné-Bissau, punido com prisão, e só é permitido para proteger a vida ou a saúde da mulher, com parecer médico; nenhum serviço o organiza, e os abortos clandestinos — com misoprostol dos mercados ou métodos tradicionais — são frequentes e uma causa importante da mortalidade materna, uma das mais altas do mundo.

Illustration : L'avortement
Mapa de localização — Guiné-Bissau — Aborto
Guiné-Bissau. Mapa de localização de contornos simplificados — dados Natural Earth, domínio público.

O quadro legal

O Código Penal de 1993 pune o aborto provocado com prisão, para a mulher e para quem o pratica, e só o permite quando é necessário para afastar um perigo para a vida ou a saúde da mulher, atestado por médico; a violação e a malformação do feto não são motivos legais, embora alguns médicos os aceitem sob o motivo da saúde. Nenhum serviço público organiza os abortos permitidos, e a decisão cabe aos médicos do Hospital Nacional Simão Mendes e dos hospitais regionais, poucos e sobrecarregados. Os abortos clandestinos são frequentes — misoprostol comprado nos mercados de Bissau, plantas, objetos —, sobretudo entre as adolescentes, e as suas complicações são uma das primeiras causas de mortalidade materna, entre as mais altas do mundo (mais de 700 mortes por 100 000 nascimentos). A contraceção moderna é usada por menos de 20 % das mulheres, e a gravidez precoce é muito frequente. As organizações de saúde reprodutiva (UNFPA, ONG) concentram-se na contraceção e nos cuidados pós-aborto, prestados nos hospitais.

Os pontos-chave

RegraCrime: prisão para a mulher e para quem pratica
PermitidoPerigo para a vida ou a saúde da mulher, com parecer médico
Não permitidoViolação, incesto, malformação do feto
ServiçosNenhum serviço organizado; hospitais caso a caso
MedicamentosMisoprostol nos mercados sem controlo
ClandestinidadeFrequente; causa importante de mortalidade materna
Cuidados pós-abortoPrestados nos hospitais sem denúncia em princípio

Na prática

Custos e cobertura

Os abortos permitidos são gratuitos ou quase nos hospitais públicos; os clandestinos custam de alguns milhares a dezenas de milhares de francos CFA; uma viagem para Portugal ou Cabo Verde custa várias centenas de euros.

Mudanças recentes

Nenhuma reforma do Código Penal foi adotada; o projeto de lei sobre a saúde sexual e reprodutiva, discutido há anos, não avançou; os programas do UNFPA e do UNICEF concentram-se na contraceção, no parto assistido e nos cuidados pós-aborto.

A quem recorrer

Convém saber

Na Guiné-Bissau, quase todos os abortos são clandestinos e muitos são mortais: o misoprostol dos mercados é mal dosado e muitas vezes falso, e as complicações chegam tarde ao hospital. Os cuidados pós-aborto são um direito e não denunciam — ir ao hospital ao primeiro sinal (hemorragia, febre) salva vidas.

Fontes e ligações oficiais

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