Aborto — Cabo Verde

Aborto a pedido até às 12 semanas de gravidez desde 1986 — Cabo Verde foi o primeiro país africano a legalizá-lo —, gratuito no Serviço Nacional de Saúde, com aconselhamento; permitido depois em caso de perigo para a vida ou a saúde da mulher e de malformação grave do feto; a oferta existe nas ilhas com hospital, e as mulheres das ilhas sem serviço deslocam-se.

Illustration : L'avortement
Mapa de localização — Cabo Verde — Aborto
Cabo Verde. Mapa de localização de contornos simplificados — dados Natural Earth, domínio público.

O quadro legal

A Lei 7/III/86, adotada em dezembro de 1986 pelo regime de partido único e confirmada pelo Código Penal de 2004 (artigos 125.º a 127.º), permite a interrupção voluntária da gravidez a pedido da mulher nas primeiras 12 semanas, em estabelecimento de saúde oficial ou autorizado, por médico; depois das 12 semanas, a interrupção é permitida quando a gravidez apresenta um perigo para a vida ou a saúde física ou psíquica da mulher, ou quando o feto sofre de malformação grave, com parecer médico. O aborto fora destas condições é crime, punido com prisão até dois anos para a mulher e mais para quem o pratica. O Serviço Nacional de Saúde pratica o aborto gratuitamente nos hospitais centrais (Praia, Mindelo) e regionais (Santiago Norte, Fogo, Sal, Santo Antão) e em alguns centros de saúde, por método medicamentoso ou por aspiração, com aconselhamento e contraceção pós-aborto; as mulheres das ilhas sem serviço deslocam-se. Cabo Verde conta alguns milhares de abortos declarados por ano, e os abortos clandestinos, por vezes com misoprostol, persistem por pudor ou por desconhecimento, sobretudo entre as adolescentes.

Os pontos-chave

A pedidoAté às 12 semanas de gravidez, em estabelecimento de saúde oficial ou autorizado (Lei de 1986)
Depois das 12 semanasPerigo para a vida ou a saúde da mulher; malformação grave do feto; parecer médico
Fora destes casosCrime: até dois anos para a mulher
ServiçosHospitais centrais e regionais, alguns centros de saúde; medicamentoso ou aspiração
CustoGratuito no Serviço Nacional de Saúde
MenoresConsentimento dos pais em regra; aconselhamento
HistóriaPrimeiro país africano a legalizar o aborto a pedido (1986)

Na prática

Custos e cobertura

Gratuito no Serviço Nacional de Saúde; algumas clínicas privadas da Praia e do Mindelo cobram algumas dezenas de milhares de escudos; a viagem entre ilhas é a cargo da mulher.

Mudanças recentes

A lei de 1986 não foi alterada; o Código Penal de 2004 confirmou-a; o Ministério da Saúde alargou o aborto medicamentoso e a contraceção pós-aborto; os abortos declarados baixam com a difusão da contraceção, usada pela maioria das mulheres em casal.

A quem recorrer

Convém saber

Cabo Verde legalizou o aborto há quase quarenta anos, mas muitas adolescentes ignoram-no ou não ousam ir ao centro de saúde da sua ilha, onde toda a gente se conhece, e abortam clandestinamente: o serviço é gratuito, confidencial e legal até às 12 semanas, e o hospital de outra ilha é uma opção.

Fontes e ligações oficiais

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