O critério que conta: o ritmo, não o lugar
Pergunte a dez casais a sua melhor recordação de viagem: nove citarão um momento sem programa. Uma esplanada, uma caminhada, um comboio. Não é o destino que torna uma estadia romântica, é a densidade do programa. Uma semana em Veneza com três museus por dia é uma viagem cultural; dois dias numa aldeia sem nada para visitar é uma viagem a dois.
A consequência prática é simples: decidam primeiro quantas coisas querem fazer, e só depois para onde ir.
Por temperamento
| Gostam de caminhar e conversar | Um trilho costeiro, um vale, um caminho de peregrinação fora de época. Três a cinco horas de caminhada por dia criam conversas que ninguém tem em casa. |
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| Gostam de cidades | Uma cidade média em vez de uma capital: faz-se tudo a pé, come-se melhor por menos, e não se passa o tempo nos transportes. |
| Querem não fazer nada | Um único lugar, um único quarto, sem transferências. O luxo de uma viagem romântica é não voltar a fazer as malas. |
| Gostam do imprevisto | Um comboio noturno e um bilhete só de ida. Desde que os dois tenham vontade desse tipo de viagem — é o caso típico em que um adora e o outro aguenta. |
Por estação
- Inverno. As cidades do norte da Europa, iluminadas às quatro da tarde, são mais românticas em janeiro do que em julho, e três vezes mais baratas. As termas, também. No Brasil e nos países do hemisfério sul é a época baixa do litoral: praias vazias e preços a metade.
- Primavera. A melhor estação para o sul de Portugal, as ilhas e o Magrebe: temperatura amena, sítios vazios, preços baixos. Abril e maio valem mais do que julho em todos os aspetos — exceto a Páscoa, que faz disparar os preços.
- Verão. Se tiver de partir em agosto, suba em altitude ou vá para norte. O litoral mediterrânico em plena época é a antiviagem romântica.
- Outono. A estação mais subestimada: luz, vindimas, florestas, e tarifas de fim de época. Outubro é muitas vezes o melhor mês do ano para partir a dois.
Por orçamento
Um fim de semana a dois bem-sucedido custa menos do que se julga, desde que se desloque a despesa. Os três capítulos que fazem a diferença, por ordem: a qualidade do alojamento, o número de trajetos, e o facto de ter ou não uma verdadeira refeição por dia. Cortar no resto não se nota.
- Orçamento pequeno. Uma cidade a duas horas de comboio ou de autocarro, duas noites, um bom hotel em vez de três noites medíocres.
- Orçamento médio. Uma semana fora de época num país onde o custo de vida é inferior: vive-se melhor sete dias do que se viveria três dias noutro sítio.
- Orçamento confortável. Pague o tempo, não o luxo: um voo direto, um transfer privado, um único hotel. O cansaço é o que mais estraga uma viagem a dois.
Os erros clássicos
- Reservar um itinerário com quatro etapas para cinco noites. Passa-se a viagem nas estações.
- Escolher um destino que um dos dois já fez com outra pessoa sem falar disso.
- Partir logo a seguir a um período de tensão, à espera de que a viagem resolva o problema. Amplifica-o.
- Não verificar a validade do passaporte, o visto e o seguro — metade das viagens estragadas ficam-no antes da partida.
Formalidades e custo real
As condições de entrada, o orçamento diário e as precauções locais variam fortemente de um país para outro. As fichas por país da secção encontros internacionais dão o detalhe para cada um dos países cobertos pelo sítio.
