União de facto e vida em comum — Moçambique

A união de facto singular e estável entre um homem e uma mulher com mais de um ano de vida em comum produz efeitos patrimoniais e sucessórios sem registo (Lei da Família de 2004, revista em 2019); é a situação da maioria dos casais moçambicanos; nenhum reconhecimento dos casais do mesmo sexo.

Mapa de localização — Moçambique — União de facto e vida em comum
Moçambique. Mapa de localização de contornos simplificados — dados Natural Earth, domínio público.

O quadro legal

A Lei da Família (Lei 10/2004, artigos 202 a 206, revista pela Lei 22/2019) reconhece a união de facto: a comunhão de vida singular e estável, em condições análogas às dos cônjuges, entre um homem e uma mulher com capacidade para casar, durante mais de um ano. Produz efeitos patrimoniais — os bens adquiridos em comum presumem-se dos dois — e sucessórios: a Lei das Sucessões de 2019 conta o unido de facto sobrevivo entre os herdeiros, e a pensão de sobrevivência é-lhe devida mediante prova. Não há registo: a união prova-se por qualquer meio, e o tribunal declara-a quando é contestada. Os casais do mesmo sexo não são reconhecidos, e a união poligâmica não é «singular» no sentido da lei.

Os pontos-chave

CondiçãoMais de um ano de vida em comum singular e estável entre um homem e uma mulher com capacidade para casar
RegistoNenhum; prova por qualquer meio, declaração judicial se contestada
BensPresunção de propriedade comum dos bens adquiridos durante a união; partilha na rutura
HerançaO unido de facto sobrevivo é herdeiro (Lei das Sucessões, 2019)
PensãoPensão de sobrevivência do INSS mediante prova da união
FilhosIguais aos filhos de casados
Casais do mesmo sexo e poligamiaSem reconhecimento

Na prática

Custos e cobertura

A prova da união é gratuita ou quase (declarações locais); uma ação judicial exige, na prática, o apoio do Instituto de Patrocínio e Assistência Jurídica (IPAJ), gratuito para quem não tem meios.

Mudanças recentes

A Lei 22/2019 reviu a Lei da Família e a Lei das Sucessões de 2019 reconheceu expressamente o unido de facto como herdeiro, o que a lei de 2004 deixava incerto; a Lei 19/2019 pune as uniões com menores de 18 anos, incluindo as uniões de facto.

A quem recorrer

Convém saber

A união de facto só protege se for «singular»: um homem que vive com duas mulheres não está em união de facto com nenhuma das duas no sentido da lei, e nenhuma delas herda como companheira. E a prova, no momento da morte, é contra a família do falecido: as declarações feitas em vida, com testemunhas, valem ouro.

Fontes e ligações oficiais

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