Aborto — São Tomé e Príncipe

O aborto é crime em São Tomé e Príncipe, e só é permitido pelo Código Penal de 2012 para salvar a vida ou preservar a saúde da mulher, e em caso de gravidez resultante de violação, com parecer médico; nenhum serviço o organiza de forma sistemática, e os abortos clandestinos, sobretudo entre as adolescentes, persistem num país onde a gravidez precoce é muito frequente.

Illustration : L'avortement
Mapa de localização — São Tomé e Príncipe — Aborto
São Tomé e Príncipe. Mapa de localização de contornos simplificados — dados Natural Earth, domínio público.

O quadro legal

O Código Penal de 2012 pune o aborto provocado com prisão, para a mulher e para quem o pratica, e não o pune quando é praticado por médico para afastar um perigo de morte ou de lesão grave para a saúde física ou psíquica da mulher, ou quando a gravidez resulta de violação, dentro de prazos e com pareceres médicos; a malformação do feto é tratada pelo motivo da saúde. Nenhum protocolo organiza sistematicamente os abortos permitidos, praticados caso a caso no Hospital Ayres de Menezes. Os abortos clandestinos — misoprostol, plantas — persistem, sobretudo entre as adolescentes: mais de um quarto das raparigas são mães antes dos 18 anos, e a gravidez na adolescência é uma das primeiras causas de abandono escolar. A contraceção é gratuita nos centros de saúde e usada por cerca de 40 % das mulheres em casal. As organizações de saúde reprodutiva concentram-se na contraceção, na educação sexual e nos cuidados pós-aborto, prestados no hospital.

Os pontos-chave

RegraCrime: prisão para a mulher e para quem pratica
PermitidoPerigo de morte ou de lesão grave para a saúde da mulher; gravidez resultante de violação; por médico
ServiçosHospital Ayres de Menezes caso a caso; nenhum protocolo sistemático
MedicamentosMisoprostol de uso hospitalar; circulação informal
ClandestinidadePersistente, sobretudo entre as adolescentes
Gravidez precoceMais de um quarto das raparigas mães antes dos 18 anos
Cuidados pós-abortoPrestados no hospital sem denúncia em princípio

Na prática

Custos e cobertura

Os abortos permitidos são gratuitos no hospital público; os clandestinos custam algumas centenas a milhares de dobras; uma viagem para Portugal custa várias centenas de euros.

Mudanças recentes

O Código Penal de 2012 alargou as exceções (violação) em relação ao código de 1886; a reforma da saúde sexual e reprodutiva em discussão prevê protocolos para os abortos permitidos; os programas do UNFPA visam a gravidez na adolescência.

A quem recorrer

Convém saber

Em São Tomé, o aborto por violação é legal mas quase nunca praticado, por falta de protocolo e de informação, e as adolescentes — as mais expostas — abortam clandestinamente. Os cuidados pós-aborto são gratuitos e não denunciam; a contraceção gratuita para as adolescentes é a única prevenção eficaz.

Fontes e ligações oficiais

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